Acho que peguei Homesickness

Homesick

De acordo com a Wikipédia, a homesickness consiste no sofrimento causado por se estar longe de casa, sendo caracterizada por pensamentos de preocupação com o lar e tudo o que está relacionado a ele. E seus principais efeitos seriam a combinação de sintomas depressivos e ansiosos, comportamento recluso e dificuldade de manter o foco em outros temas que não o lar. É conhecida como a “doença do imigrante” e, em suma, pode ser traduzida como a saudade de casa.

Acredito que existam vários níveis e estágios para esse estado emocional, então cada pessoa acaba sentindo de uma forma, talvez uns bem mais intensamente do que outros. Como não tenho base para falar sobre o tema de forma generalizada, vou relatar um pouco da minha experiência com esse turbilhão de emoções que me atingiu, já faz alguns meses, e hoje entendo claramente que foi devido a uma homesick bem chata, mas nada desesperadora, no meu caso.

Completei um ano morando aqui no Canadá em 27 de agosto. Cheguei até a programar uma série de posts especiais para compartilhar um pouco da minha perspectiva sobre a vida neste país, mas me encontrei em meio a um desânimo tão grande que não consegui escrever sobre nenhum dos assuntos que tinha separado. Aliás, deixei muita coisa de lado nesse período. Por via das dúvidas, todas as anotações foram salvas e talvez eu volte a elas no futuro, mas ainda não tão agora.

Acontece que eu estou gostando muito de viver aqui. De verdade! Me sinto tranquila na maior parte do tempo, então demorei um pouco para discernir o que estava se passando dentro de mim e há quanto tempo eu poderia atribuir isso a tal da homesick e não a uma simples ansiedade.

Comecei a desconfiar quando me vi em pleno verão, período onde a cidade fica mais incrível, sem muita vontade de “aproveitar a vida”. Eu não me sinto mais turista aqui, mas também ainda não me sinto parte do lugar, e esse sentimento de “não pertencer” se fez tão forte em alguns momentos que a saudade veio diferente nos últimos meses, acho que doeu um pouco mais do que deveria. Aproveitei como pude, e não me privei de alguns passeios, mas no meu mundo interior me incomodava o fato de a praia não ser a mesma, o calor das pessoas ser diferente, a comida não ser tão saborosa, e por aí vai.

Em alguns momentos, me vi achando tudo um pouco sem graça, e até características locais que eu admirei assim que cheguei, por vezes, me tiravam a paciência. Cheguei ao ponto de me pegar pensando: “Ah…. no Brasil seria diferente”, ou: “brasileiros são tão melhores nisso”. E, de fato temos pontos positivos no Brasil, culturalmente falando, que ao meu ver nos fazem melhores em muitos aspectos, mas não é uma comparação justa. Tanto não o é, que me encontrando nesse estado de homesick, comecei a sentir falta de coisas com as quais nem me importava quando estava no Brasil. Sendo este o estopim para eu refletir sobre todos esses sentimentos que estavam me deixando “para baixo” e perceber que me deixei dominar por uma emocionalidade desencadeada pela saudade por estar longe de casa.

Quando olhamos para o mundo em que estamos inseridos através da névoa de nossas próprias emoções tudo irá parecer distorcido. É nesse momento que devemos confrontar nossa própria realidade, e assim tentar olhar ao redor com clareza, dissipando as interferências causadas pelas emoções através de uma análise mais racional. Estou aqui falando da homesick, mas esse conselho serve para qualquer outra emoção que nos tire dos eixos.

Deixar-se dominar por esse tipo de emocionalidade, é perder a oportunidade de viver o hoje e de apreciar os pontos positivos de uma experiência que pode ser incrível. A partir desse entendimento é que passei a tentar me afastar dos pensamentos que me colocavam no olho desse furacão. Não é fácil, principalmente quando se está longe de quem ama e de tudo o que é familiar, mas lembrar com clareza dos próprios objetivos e exercitar a gratidão pelas coisas mais simples, vai aos poucos dissipando os pensamentos negativos.

Não é fácil se sentir encaixado em uma nova cultura, mas sem dúvida alguma é o tipo de experiência que muda nossas perspectivas e quebra muitos paradigmas dentro de nós. Sempre haverão pontos negativos e perdas em qualquer escolha que se faça nessa vida, mas só o enfrentamento muda quem somos.

Se estou curada? Não poderia dizer com certeza. Acho que este é um sentimento que vai e vem, sendo algumas vezes de forma leve e outras bem mais forte. Por hora, estou animada para o inverno, mais do que estive para o ultimo verão. E apesar de ser um contra-senso*, estou achando muito bom.

Grande Bjo,

Mari Marques.

 

*PS: Descobri que o certo seria “contrassenso”, de acordo com o Acordo Ortográfico de 2009, mas não sei porque me soa estranho, então uso “contra-senso” mesmo. Mas fica registrada a retificação. rs

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My Champion – Alter Bridge

Rock am Ring

Hoje, para fechar a semana, quero compartilhar uma canção que meu marido me apresentou já há alguns meses e vira e mexe escuto para dar um up na motivação. Brinco dizendo que ele é meu DJ pessoal, porque está sempre me apresentando à boas músicas.

Todos nós passamos por alguns momentos que parecem mais difíceis do que deveriam… E são essas situações que nos trazem os maiores aprendizados e nos fazem desafiar nossos próprios limites. Mas as vezes, precisamos de alguém para nos lembrar que somos capazes, seja com uma palavra, um texto ou mesmo uma canção como essa.

A música a que me refiro é My Champion, encontrada no álbum “The Last Hero” da banda Alter Bridge. Dedico a letra dela a vocês, e caso queiram ouvi-la (o que também aconselho) segue o link para acessá-la no Youtube: aqui.

Meu CampeãoMy Champion

Que esta seja sua canção de vitória – May this be your victory song
Uma canção para quando eu me for – A song for you when I am gone
Lembrando você daquilo que você é – Reminding you of what you’re meant to be
Um presente para te trazer clareza – A gift to bring you clarity
Para te mostrar que o seu destino – To show you that your destiny
Não é definido pelo que você falhou em ver – Is not defined by what you’ve failed to see
Não – No

Que isto levante você – May this lift you up
Quando você sentir que cairá novamente – When you feel you’ll fall again
Que não pode vencer, nãoYou cannot win, no
Espero que essas palavras sejam suficientesHope these words are enough
Para você ser forte, meu amigoFor you to be strong, my friend

As vezes você cai antes de se levantar – Sometimes you fall before you rise
As vezes você perde tudo para encontrarSometimes you lose it all to find
Você deve continuar lutandoYou’ve gotta keep fighting
E voltar novamenteAnd get back up again
Meu campeãoMy champion
Oh, meu campeãoOh, my champion

Você perdeu tantas vezes e isso dói – You’ve lost so many times it hurts
Mas fracassos são lições aprendidasBut failures made are lessons learned
Porque ao final o que você é significará muito maisCause in the end what you are will be much more
Do que você foiThan you were

Que isto te levante – May this lift you up
Quando você sentir que cairá novamenteWhen you feel you’ll fall again
Que você não pode vencerYou cannot win
Espero que essas palavras sejam suficientesHope these words are enough
Para você ser forte, meu amigoFor you to be strong, my friend

As vezes você cai antes de se levantar – Sometimes you fall before you rise
As vezes você perde tudo para encontrarSometimes you lose it all to find
Você deve continuar lutandoYou’ve gotta keep fighting
E voltar novamenteAnd get back up again
Meu campeãoMy champion

Nunca fuja – Don’t ever run away
Por cada medo que você enfrentaFor every fear you face
Você irá sobreviver e ser muito maisYou will survive and be much more
Do que você foiThan you were

As vezes você cai antes de se levantar – Sometimes you fall before you rise
As vezes você perde tudo para encontrarSometimes you lose it all to find
Você deve continuar lutandoYou’ve gotta keep fighting
E voltar novamenteAnd get back up again
O mundo vai tentar e te derrubarThe world’s gonna try and knock you out
Basta escolher-se quando você cairJust pick yourself up when you go down
Você deve continuar lutandoYou’ve gotta keep fighting
E voltar novamenteAnd get back up again
Meu campeãoMy champion
Oh, meu campeãoOh, my champion
Meu campeãoMy champion
Meu campeãoMy champion

E vocês aí do outro lado? Qual ou quais músicas têm ouvido para se auto motivarem? Deixem as sugestões nos comentários. 😉

Grande Bjo,

Mari Marques.

 

*Tradução: livre.

*Imagem: Google imagens.

Não existem atalhos

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Muitas vezes, para alcançarmos o que tanto almejamos, temos de percorrer trajetos que não nos parecem muito confortáveis, e podemos ficar tentados a “encurtar” a viagem de alguma forma, considerando como não necessário enfrentar determinadas etapas.

Acontece que é justamente o caminho que nos prepara para desfrutarmos cada chegada. E alguns “atalhos” podem servir apenas para nos levar a dar uma volta ainda maior, fazendo com que os objetivos só demorem mais para serem alcançados.

Vivemos em um tempo onde tudo parece ter de ser realizado “para ontem”. São propagandas e propagandas do tipo: “Fique fluente no inglês em 6 meses”; “Ganhe 10 mil reais em apenas um mês”; “Emagreça 10 quilos em 15 dias”… e por aí vai. O estimulo para alcançarmos resultados rápidos é tão grande, que as vezes até chegamos a acreditar ser possível. Porém, não se engane. Pode ser clichê o conselho, mas a verdade é que nada do que parece muito fácil tem a capacidade de durar, e muito menos de ser efetivo.

Como exemplo, vocês não fazem ideia, a menos que também esteja passando por essa experiência, de como é estressante aprender um trabalho novo em um idioma que não se domina. No entanto, essa imersão é uma etapa fundamental na vida de qualquer imigrante (seja ele temporário ou permanente), sem a qual é impossível crescer na fluência e culturalmente.

E assim é tudo na vida. Muitas vezes, temos de passar por etapas desconfortáveis ou fazer algo que não gostamos tanto, seja trabalho ou estudo, para chegarmos onde queremos estar. Se pularmos isso, vamos perder todo o aprendizado que nos fará bem-sucedidos lá na frente, e em alguns casos, teremos até de voltar todo o percurso para enfim chegarmos onde queremos.

Então, o melhor que temos a fazer é aproveitar bem o caminho, seja ele bom ou ruim,  afinal é de onde tiraremos os ensinamentos para resolvermos os problemas futuros.

Não sei qual o desafio que você, leitor(a), pode estar enfrentando hoje, mas deixo essa reflexão. Não tente pular etapas, muito menos encontrar atalhos, as dificuldades vividas no hoje serão fundamentais para construirmos um bom amanhã. Valorize e curta isso. 😉

Grande Bjo,

Mari Marques

Preciso falar sobre Ansiedade

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Existem coisas nessa vida que parecem um exagero, até que começam a acontecer com a gente. Seja por falta de empatia ou simples desconhecimento dos fatos, se colocar no lugar do outro exige sempre muito exercício e boas doses de sensibilidade, sendo muito fácil cometermos julgamentos equivocados por mera falta de informação.

Digo isso porque já me vi nesse papel de “incompreensora” sempre que alguém citava as tais crises de ansiedade. Talvez por eu ser uma pessoa naturalmente ansiosa desde sempre, não conseguia vislumbrar algo além das sensações normais que eu tinha em qualquer situação que me provocasse esse sentimento.

Acontece que como diz uma companhia de humor que eu gosto muito: “A vida é uma caixinha de surpresas”. É sim…. e a gente tem de tomar muito cuidado para não “morder a língua” no decorrer dela, porque dói”… rsrs

Comigo foi assim… há aproximadamente 3 anos atrás (talvez um pouco mais ou um pouco menos), tive a minha primeira crise de ansiedade de verdade, e senti vergonha por todas as vezes que me considerei uma pessoa ansiosa, e por todas as outras vezes que tomei como “balela” esse tipo de relato. De lá para cá, ao todo, foram umas 3 crises para valer e um certo medinho de sentir aquilo de novo, que me acompanha até hoje.

E foi justamente por esse motivo que resolvi escrever sobre o tema. Tenho a nítida sensação que depois da primeira crise, os sintomas da minha ansiedade “normal” nunca mais foram os mesmos, e apesar de serem totalmente administráveis, me incomodam bastante, porque sempre acho que posso entrar em pânico novamente: com o coração na boca, suando frio, a visão meio turva, falta de ar e uma certeza maluca de que estou morrendo.

Dizem que ansiedade é excesso de futuro. Acredito que seja mesmo, porque sempre começa com pensamentos acerca do que nem aconteceu ainda… e vai ficando pior na medida em que alimentamos a imaginação. Nesse sentido, bem fala Augusto Cury: “Os pensamentos são os trilhos das emoções”. E tanto o é, que se não os controlarmos, elas irão descarrilar de vez.

Não sei se esse tipo de problema é só mais um reflexo do tempo maluco em que vivemos… Bem provável que seja… Mas o fato é que olhar para dentro de si nunca foi tão necessário como ultimamente. Para mim, é esse exercício de auto analisar-se que faz com que eu identifique os gatilhos da minha ansiedade e já corte o mal pela raiz. Tem dado certo.

A título de exemplo, lembro de uma vez, já aqui no Canadá, quando eu estava voltando para casa depois do curso de inglês, em que fui assolada pela ideia de que tinha esquecido o ferro de passar ligado. Em poucos minutos várias possibilidades imaginárias passaram pela minha cabeça, e todas elas terminavam em tragédia. Foi um período de muita tensão até chegar em casa e constatar que nada estava ligado e esse era só um sintoma da minha ansiedade. Hoje eu acho essa situação muito engraçada, e já consigo identificar quando algo assim é só um reflexo do problema, mas é muito chato.

Graças a Deus eu não cheguei ao ponto de precisar tratar disso clinicamente, já que a coisa toda não evoluiu. Tenho pavor de algum dia ter de tomar esse tipo de medicação, mas sei também que em alguns casos não tem jeito, e só um acompanhamento profissional qualificado pode resolver o problema. É sempre bom ser sincero consigo mesmo e reconhecer quando for necessário aceitar ajuda. Espero em Deus nunca chegar a precisar, mas  não tenho a mente fechada com relação a isso.

Acredito que essa situação só não se tornou um problema ainda maior na minha vida  por conta da minha fé, que me segurou (e sempre segura) nos momentos em que pensei estar perdendo o controle.

Então, para encerrar meu relato, deixo aqui o versículo que foi (e é) meu “mantra” nos momentos de crise, medo ou insegurança: “O Senhor é a fortaleza da minha vida; a quem temerei?” (Salmos 27:1). E sempre medito nisso, na certeza de que é Ele quem me sustem. 😉

Grande Bjo,

Mari Marques.

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