Não existem atalhos

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Muitas vezes, para alcançarmos o que tanto almejamos, temos de percorrer trajetos que não nos parecem muito confortáveis, e podemos ficar tentados a “encurtar” a viagem de alguma forma, considerando como não necessário enfrentar determinadas etapas.

Acontece que é justamente o caminho que nos prepara para desfrutarmos cada chegada. E alguns “atalhos” podem servir apenas para nos levar a dar uma volta ainda maior, fazendo com que os objetivos só demorem mais para serem alcançados.

Vivemos em um tempo onde tudo parece ter de ser realizado “para ontem”. São propagandas e propagandas do tipo: “Fique fluente no inglês em 6 meses”; “Ganhe 10 mil reais em apenas um mês”; “Emagreça 10 quilos em 15 dias”… e por aí vai. O estimulo para alcançarmos resultados rápidos é tão grande, que as vezes até chegamos a acreditar ser possível. Porém, não se engane. Pode ser clichê o conselho, mas a verdade é que nada do que parece muito fácil tem a capacidade de durar, e muito menos de ser efetivo.

Como exemplo, vocês não fazem ideia, a menos que também esteja passando por essa experiência, de como é estressante aprender um trabalho novo em um idioma que não se domina. No entanto, essa imersão é uma etapa fundamental na vida de qualquer imigrante (seja ele temporário ou permanente), sem a qual é impossível crescer na fluência e culturalmente.

E assim é tudo na vida. Muitas vezes, temos de passar por etapas desconfortáveis ou fazer algo que não gostamos tanto, seja trabalho ou estudo, para chegarmos onde queremos estar. Se pularmos isso, vamos perder todo o aprendizado que nos fará bem-sucedidos lá na frente, e em alguns casos, teremos até de voltar todo o percurso para enfim chegarmos onde queremos.

Então, o melhor que temos a fazer é aproveitar bem o caminho, seja ele bom ou ruim,  afinal é de onde tiraremos os ensinamentos para resolvermos os problemas futuros.

Não sei qual o desafio que você, leitor(a), pode estar enfrentando hoje, mas deixo essa reflexão. Não tente pular etapas, muito menos encontrar atalhos, as dificuldades vividas no hoje serão fundamentais para construirmos um bom amanhã. Valorize e curta isso. 😉

Grande Bjo,

Mari Marques

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Preciso falar sobre Ansiedade

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Existem coisas nessa vida que parecem um exagero, até que começam a acontecer com a gente. Seja por falta de empatia ou simples desconhecimento dos fatos, se colocar no lugar do outro exige sempre muito exercício e boas doses de sensibilidade, sendo muito fácil cometermos julgamentos equivocados por mera falta de informação.

Digo isso porque já me vi nesse papel de “incompreensora” sempre que alguém citava as tais crises de ansiedade. Talvez por eu ser uma pessoa naturalmente ansiosa desde sempre, não conseguia vislumbrar algo além das sensações normais que eu tinha em qualquer situação que me provocasse esse sentimento.

Acontece que como diz uma companhia de humor que eu gosto muito: “A vida é uma caixinha de surpresas”. É sim…. e a gente tem de tomar muito cuidado para não “morder a língua” no decorrer dela, porque dói”… rsrs

Comigo foi assim… há aproximadamente 3 anos atrás (talvez um pouco mais ou um pouco menos), tive a minha primeira crise de ansiedade de verdade, e senti vergonha por todas as vezes que me considerei uma pessoa ansiosa, e por todas as outras vezes que tomei como “balela” esse tipo de relato. De lá para cá, ao todo, foram umas 3 crises para valer e um certo medinho de sentir aquilo de novo, que me acompanha até hoje.

E foi justamente por esse motivo que resolvi escrever sobre o tema. Tenho a nítida sensação que depois da primeira crise, os sintomas da minha ansiedade “normal” nunca mais foram os mesmos, e apesar de serem totalmente administráveis, me incomodam bastante, porque sempre acho que posso entrar em pânico novamente: com o coração na boca, suando frio, a visão meio turva, falta de ar e uma certeza maluca de que estou morrendo.

Dizem que ansiedade é excesso de futuro. Acredito que seja mesmo, porque sempre começa com pensamentos acerca do que nem aconteceu ainda… e vai ficando pior na medida em que alimentamos a imaginação. Nesse sentido, bem fala Augusto Cury: “Os pensamentos são os trilhos das emoções”. E tanto o é, que se não os controlarmos, elas irão descarrilar de vez.

Não sei se esse tipo de problema é só mais um reflexo do tempo maluco em que vivemos… Bem provável que seja… Mas o fato é que olhar para dentro de si nunca foi tão necessário como ultimamente. Para mim, é esse exercício de auto analisar-se que faz com que eu identifique os gatilhos da minha ansiedade e já corte o mal pela raiz. Tem dado certo.

A título de exemplo, lembro de uma vez, já aqui no Canadá, quando eu estava voltando para casa depois do curso de inglês, em que fui assolada pela ideia de que tinha esquecido o ferro de passar ligado. Em poucos minutos várias possibilidades imaginárias passaram pela minha cabeça, e todas elas terminavam em tragédia. Foi um período de muita tensão até chegar em casa e constatar que nada estava ligado e esse era só um sintoma da minha ansiedade. Hoje eu acho essa situação muito engraçada, e já consigo identificar quando algo assim é só um reflexo do problema, mas é muito chato.

Graças a Deus eu não cheguei ao ponto de precisar tratar disso clinicamente, já que a coisa toda não evoluiu. Tenho pavor de algum dia ter de tomar esse tipo de medicação, mas sei também que em alguns casos não tem jeito, e só um acompanhamento profissional qualificado pode resolver o problema. É sempre bom ser sincero consigo mesmo e reconhecer quando for necessário aceitar ajuda. Espero em Deus nunca chegar a precisar, mas  não tenho a mente fechada com relação a isso.

Acredito que essa situação só não se tornou um problema ainda maior na minha vida  por conta da minha fé, que me segurou (e sempre segura) nos momentos em que pensei estar perdendo o controle.

Então, para encerrar meu relato, deixo aqui o versículo que foi (e é) meu “mantra” nos momentos de crise, medo ou insegurança: “O Senhor é a fortaleza da minha vida; a quem temerei?” (Salmos 27:1). E sempre medito nisso, na certeza de que é Ele quem me sustem. 😉

Grande Bjo,

Mari Marques.

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Refletindo sobre o Amor no Dia dos Namorados

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Hoje, dia 12 de Junho, é comemorado o Dia dos Namorados no Brasil, e dado o frenesi que vejo nas redes sociais com relação a esse dia, achei pertinente tirar alguns minutos para refletir sobre certos significados.

Como falei na semana passada, no post “Ele odeia o Dia dos Namorados. E agora?”, aqui em casa nós não damos tanta importância assim para essa data. Ainda mais estando aqui no Canadá, onde o dia dos namorados já passou faz tempo (como também no restante do mundo). Porém, o bombardeio de informações sobre “o que deveria ser um relacionamento perfeito” é tão grande, que as vezes me pego querendo fazer algo diferente nesse dia.

Com relação a isso, o que tomo cada vez mais como cuidado quanto a esse “desejo” de comemoração é o exercício de definir bem meus próprios porquês: Quero mesmo fazer algo diferente exatamente hoje para curtir nosso relacionamento (mesmo que ninguém saiba) ou isso será apenas para mostrar aos outros que fiz alguma coisa interessante e tenho um “relacionamento legal”?

Acontece que se a motivação estiver na segunda alternativa, é definitivamente melhor não fazer nada. As redes sociais já estão cheias disso: pessoas se esforçando para mostrar o que não são, apenas para satisfazer a curiosidade de quem elas nem conhecem direito ou mesmo só para ganhar umas “curtidas” que massageiam o ego. E cá entre nós, os casais mais felizes que eu conheço pessoalmente não costumam cair nessa… justamente porque não se trata de um dia específico no ano, o amor mesmo é demonstrado quando você não tem obrigação nenhuma e mesmo assim decide estar ali pelo seu alguém.

Somos assolados o tempo inteiro, e principalmente nessa época do ano, por propagandas e clichês fantasiosos que insistem em nos empurrar um padrão pré-determinado como sendo o único caminho para uma felicidade que, na realidade, é inalcançável e não tem nada de real, já que somos complexos demais para cabermos todos em uma mesma fórmula. Um amor de verdade vai tão além disso tudo que não serve em rótulos. Tanto é, que nem sempre o que for “perfeito” para mim vai ser considerado da mesma forma por outra pessoa, e vice-versa.

Por essas e outras é que em certos momentos, como o do Dia dos Namorados, considero  melhor apertar um pouco o “botão off” e parar de olhar o que está acontecendo em volta. Você vai perceber que amor bom é o seu… que pode não ser prefeito como o que tentam nos vender pela TV, mas que sendo de verdade, não precisa de muito para te fazer feliz.

Lembre-se que todo Amor é fruto de uma construção diária, o que exige dedicação constante… e um dia jamais seria o suficiente para determinar quão bom ele é ou pode ser.

Grande Bjo,

Mari Marques.

 

O que fazer com as frustrações?

Lidando com o que frustra

Após alguns meses vivendo aqui no Canadá e tentando me adaptar ao novo idioma, finalmente dei início à busca por um emprego nesta terra estrangeira. Tenho participado de algumas seleções e logo na primeira delas, umas perguntinhas me chamaram a atenção: Você desiste de algo quando se sente frustrado? e O que você faz quando uma situação não sai como o planejado?

Não lembro se foram exatamente com essas palavras, mas a ideia embutida nas perguntas era essa sim, e me vi pensando nisso por um bom tempo depois que terminei de responder ao questionário.

Nunca trabalhei com Recursos Humanos ou algo do gênero, então não sei o porquê de se perguntar sobre isso, mas fiquei imaginando que talvez o empregador em questão já houvesse tido problemas com pessoas que não sabiam lidar com as frustrações no trabalho. E, de fato, não é raro encontrar pessoas que reajam muito mal aos contratempos e intempéries que surgem no caminho de um projeto.

Particularmente, não vejo dificuldades em lidar com isso profissionalmente, por ser um âmbito onde os objetivos finais costumam ser bem definidos, o que facilita possíveis “redefinições de rota” caso haja algum contratempo. Já quando trazemos isso para o lado dos objetivos pessoais ou mesmo para dentro de um relacionamento, a história já não é tão simples. :/

Talvez a solução seja justo o que falei aí em cima: ter claro o onde se quer chegar para não “empacar” nos possíveis desvios pelo caminho. E embora seja muito lógico na teoria, saber disso não torna mais fácil encarar as frustrações na vida prática, ainda mais quando nos encontramos no “olho do furacão”.

Então o que fazer para lidar com isso quando nossos planos se frustram ou as pessoas que amamos não atendem às nossas expectativas?

A verdade é que consigo enxergar apenas duas opções:

1) se deixar dominar pelo sentimento de frustração e acumular amarguras dentro de si; ou

2) aprender com a situação e, a partir disso, traçar novos objetivos, mais aprimorados pela experiência, ou simplesmente adaptar-se ao que não pode ser mudado, não por conformismo, mas passando a olhar por uma nova ótica, e assim começar a apreciar o que se tem, o que pode ser surpreendente.

Acho que não preciso explicar o porquê de eu preferir a segunda opção, mas existe a possibilidade de você nem perceber que está optando pela primeira escolha, que é tão negativa. Acontece que, muitas vezes todo esse processo de frustrar-se acontece de forma bem sutil, e vamos acumulando sentimentos nocivos por pequenas coisas. Isso acaba minando não apenas a nossa confiança em nós mesmos, mas nosso desempenho na vida, nossos relacionamentos, nossa resistência ao inesperado e principalmente a capacidade de renovar-se.

Temos de ter em mente de que tudo o que traçamos como ideal, encontra-se em um campo inatingível. Não é justo exigirmos de nós mesmos e daqueles que amamos padrões tão altos e inalcançáveis. Antes, devemos em cada etapa de realização, adequarmos nossos planos à realidade que temos. E apesar de nem sempre ela ser tão florida como nos sonhos, com certeza podemos literalmente transformá-la em nossa melhor opção, mudando o que pode ser mudado.

Acredito que para isso sejam necessários exercícios diários, começando pelos atos constantes de gratidão, aprendendo a enxergar a vida e aqueles que nos cercam como realmente são ou podem ser, e nada além disso. A partir daí, as medidas que tomarmos enquanto evolução serão  muito mais eficazes, e evitaremos as frustrações por já estarmos plenos antes mesmo dos resultados.

Como diria Aristóteles, “conhecer a si mesmo é o começo de toda sabedoria”, e penso que devemos encarar isso não apenas no que se refere a quem somos internamente, mas também de forma externa, considerando tudo o que nos rodeia, desde o universo a que fazemos parte como aqueles que o integram. E, assim, abrindo mão das imagens que criamos e dos conceitos que pré-estabelecemos como ideais, ficamos livres para apreciar tudo e todos como realmente são, diminuindo o espaço para possíveis frustrações.

“Aprenda a ser quem você é, e aprenda a aceitar de boa graça tudo o que você não é” (Henri Frederic Amiel). E verá que a vida pode ser muito melhor apreciada, se permitirmos que ela nos surpreenda com suas próprias possibilidades, ao invés de lutarmos para que ela se encaixe no que prematuramente decidimos que deveria ser.

Eu mesma poderia dar exemplos de coisas que me aconteceram e se saíram muito melhores do que se tivessem seguido o “meu script”. Mas só foi assim, porque não permiti que “meus planos” me impedissem de viver o que se apresentava como presente.

Então, da próxima vez que as coisas não saírem como você queria, ou aquela pessoa que é tão importante para você não agir exatamente como você desejava, mude um pouco o seu olhar e permita-se surpreender-se.

Grande Bjo,

Mari Marques.