No inverno se hiberna

inverno

Impressionante como o sol é capaz de mudar toda a dinâmica de uma cidade e, principalmente, o ritmo da vida que se leva.

Nada contra o inverno. Pelo contrário. Já cansei de declarar meu amor por essa estação, pela qual me encantei em níveis que nem imaginava. Me descobri uma pessoa totalmente do inverno, e mesmo com as baixas temperaturas que fazem aqui no Canadá, a minha adaptação a esse clima foi bem mais fácil do que esperava inicialmente.

Porém, não há como negar o poder do sol e o tamanho da falta que ele faz. Tanto que é praticamente obrigatório se fazer suplementação de vitamina D por aqui durante o inverno, sob o risco de existirem dias em que até o levantar da cama será uma realização sobre-humana.

Venho pensando nisso, pois essa semana começou a primavera e o sol está voltando aos poucos a dar as caras por aqui. É inevitável sentir uma injeção de ânimo que chega a me surpreender, de modo que não consigo deixar de fazer essa associação.

Curti muito meu inverno. Maratonei minhas séries, assisti filmes embaixo das cobertas, namorei, comi (até demais), aproveitei o pouquinho de neve que tivemos e dormi sem culpa sempre que sobrava um tempo livre. Foi bom, foi feliz. Sinto com sinceridade que não preciso de mais do que isso para considerar minha vida boa. Porém, de fato, não realizei muito além das minhas obrigações. E a vida vai muito além das obrigações, não é mesmo?!

Assim, começo a traçar algumas analogias na minha cabeça, sobre como o clima afeta diretamente a nossa vida e sobre como é responsabilidade nossa sermos adaptáveis a ele, já que não é algo que controlamos. Aliás, não apenas o clima, mas existem tantas outras situações que não controlamos, melhor não as colocarmos como desculpas para as nossas falhas. O melhor mesmo é assumirmos que não importa o que aconteça, a escolha de como isso nos afeta ainda é nossa.

Se o verão, em razão do sol, traz tanta agitação, nos impelindo a uma dinâmica mais ativa, também é o tempo de sedimentar hábitos, para que no inverno (seja no clima ou na vida) possamos dar continuidade a eles, mesmo que sem tanto ânimo para isso.

Nesse sentido, melhor deixar que apenas os ursos hibernem.

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Dia 6 – 30 Day Blog Challenge

Diário Blog Challenge

Vida Real X Vida Virtual.

Após o advento das redes sociais, trazendo toda uma nova forma de interação entre as pessoas, acredito que nossa percepção de mundo se transformou muito, e continua se transformando. A linha entre o que de fato é real e aquilo que se quer ser ou mostrar ficou muito tênue, e se confunde muitas vezes. Requer de nós constante análise e senso crítico, para não cairmos na armadilha de sermos movidos por “curtidas” ou “views”, que satisfazem o ego mas podem nos deixar ocos por dentro.

É praticamente impossível optar por ficar totalmente à margem dessa nova dinâmica, seria quase que uma forma de alienação. A virtualidade é sim uma ferramenta de comunicação e informação muito poderosa nos dias atuais, e se bem usada pode ser incrivelmente benéfica. No entanto, é cada vez mais importante cuidar para não sermos dominados por ela de forma negativa.

Tarefa difícil encontrar alguém infeliz nas redes. A sensação é de que todos os seus contatos possuem vidas exuberantemente incríveis e livres de problemas. E, cá entre nós, tudo bem que seja assim, pois todos optam por mostrar o que têm de melhor, afinal ninguém é obrigado a compartilhar dissabores. Aliás, acredito que os poucos que o fazem talvez possuam objetivos não muito nobres, já que atrair piedade também é uma forma de confortar um orgulho doente.

Porém, uma coisa que me incomoda e eu percebo com frequência em alguns perfis, é a “fabricação de momentos”. Quando fotos são tiradas e textos são escritos com o fim específico de gerar reações. Considero de certo modo natural aumentarmos alguma descrição, já que é normal lembrarmos das coisas de forma melhor do que realmente foi. No entanto, quando a vida virtual passa a ser o objetivo de determinada experiência na vida real, mesmo que subjetivamente, já acho que é hora de dar um “pause” nas postagens e tentar observar o que está acontecendo consigo.

Não é raro ir a um restaurante ou a um show e ver pessoas mais preocupadas em tirar fotos e compartilhar nas redes, enquanto a vida está ali acontecendo. Tire fotos, registre seus momentos para a posteridade, mas não deixe a comida esfriar enquanto escreve um post. Não deixe a sua música favorita terminar sem você perceber porque estava checando o número de curtidas.

Já me vi cair nessa armadilha, então pode ter certeza de que isso não é uma crítica, apenas uma observação sobre uma tendência que se não cuidarmos, nos deixamos facilmente levar. E aí entro na resposta à pergunta inicial: Qual a diferença entre a minha vida pessoal e virtual? Hoje, se eu tiver dúvida sobre as minhas razões, prefiro não postar.

A vida virtual, acaba sendo sim um reflexo de quem somos, mas não pode ser capaz de nos definir ou falar tudo sobre nós. Ali é possível ter uma vaga ideia dos gostos, opiniões e momentos importantes na vida de alguém, mas o conhecer essa pessoa deve ficar restrito ao trato pessoal. E não é o número de curtidas que pode ser capaz de dizer quem é “legal” ou não.

Então, a diferença é que a minha vida virtual é apenas uma vertente trazendo um breve lampejo do que sou, nunca a totalidade. Algumas opiniões só darei pessoalmente, e se me perguntarem. Meus momentos memoráveis são só meus. E o que faço na intimidade não interessa a ninguém, então prefiro não compartilhar ali. Porque entre viver e postar, o melhor é viver, mesmo que não hajam curtidas.

 

[Tag] Dona de Casa

Dona de Casa

Olá pessoas!

Como comecei a semana falando sobre as dificuldades e desafios de administrar a relação Casa x Trabalho, hoje resolvi trazer a “Tag: Dona de Casa” para responder com vocês.

Apesar de trabalhar fora, também me considero dona de casa, ou pelo menos venho tentando me tornar uma, e respeito muito as mulheres que optam por se dedicar apenas a este universo, que ao contrário do que alguns pensam, não é nada fácil.

Seguem as perguntas:

1. Que horas você vai dormir todos os dias?

🙂 – Por mais que eu tente, nunca consigo ir dormir cedo. É sempre depois da meia noite.

2. Que horas você levanta?

🙂 – Depende. Se eu não tiver nenhum compromisso, durmo até um pouco mais tarde. Aliás, somos notívagos aqui em casa, então se não tivermos nada para fazer no dia seguinte, meio que trocamos a manhã pela noite com muita facilidade. Infelizmente, esses dias são cada vez mais raros. rsrs

3. Você toma café sozinha ou com a família?

🙂 – Sempre tomei café com a minha mãe, mas desde que casei, tomo sozinha mesmo, porque marido geralmente prefere pular o café da manhã. Sinto saudade dessa parte.

4. Que eletrodoméstico você não vive sem? a) Microondas; b) Máquina de lavar louça; c) Máquina de lavar roupa e secar

🙂 – Máquina de lavar roupa, com certeza. Deus me livre ter que lavar roupa na mão. rs

5. Você prefere lavar, passar, ou cozinhar?

🙂 – Definitivamente, cozinhar. Aliás, odeio passar roupa, e uma das vantagens aqui do Canadá, é que nós colocamos uns lencinhos na máquina de secar roupa e elas já saem praticamente passadas, é só pendurar. Apenas roupas sociais é que precisamos passar de vez em quando.

6. Você cuida da casa sozinha ou a família ajuda?

🙂 – Marido ajuda.

7. O que você faz quando a casa está um caos? a) Respira fundo e arruma tudo sozinha; b) Coloca toda a família para arrumar também

🙂 – Faço o que der para amenizar, e vou arrumando aos poucos, mas tenho aprendido a não me cobrar e com certeza, se precisar, peço ajuda. Como diz o lema da FlyLady: “antes feito, do que perfeito”.

8. O que você faz quando a família reclama da comida?

🙂 – Fico chateada.

9. Qual o item de casa você adora comprar sem dó de gastar? a) Cama; b) Mesa; c) Banho

🙂 – Eu sempre tenho dó de gastar. rsrs
Porém, quando dá, eu me divirto comprando coisinhas para a casa. Não sei qual eu prefiro, acho que fico entre cama e mesa.

10. Você é radical com? a) Organização da casa; b) Limpeza da casa; c) Os dois

🙂 – Nenhuma das alternativas. Sou nada radical. Gosto de tudo limpinho, por questões de higiene, mas também não fico caçando coisas para limpar.

11. Qual o produto de limpeza você não vive sem?

🙂 – Aqui no Canadá se usa muito uns lencinhos umedecidos de limpeza que já vêm com desinfetante. É tão prático que eu escolho esse item.

12. Você arruma a cama de toda a família?

🙂 – Por enquanto a família somos apenas eu e meu marido, e a gente reveza. As vezes eu faço a cama, as vezes é ele quem faz.

13. Quando você se sente cansada para cozinhar, prefere pedir comida ou sair para comer fora?

🙂 – Depende do humor.

14. Você se considera vaidosa com a casa?

🙂 – Gosto de receber elogios quando tento deixar as coisas arrumadinhas, mas não me considero uma exímia dona de casa para chegar a me sentir vaidosa.

15. Você prefere morar em casa ou apartamento?

🙂 – No momento atual, prefiro apartamento.

16. Você já causou algum acidente doméstico?

🙂 – Já. Logo que me casei, coloquei fogo em um forninho elétrico, porque esqueci que tinha começado a preparar torradas. Foi tenso.

17. Você sente vergonha de ser dona de casa?

🙂 – Sempre sonhei em ter a minha casinha para cuidar, então de maneira alguma sentiria vergonha disso…. pelo contrário. O que as vezes me deixa envergonhada é o fato de eu não ser a dona de casa que eu imaginei que seria. Confesso que é muito mais difícil do que eu esperava.

18. Você gosta de cozinhar para amigos ou familiares? 

🙂 – Gosto muito. No dia a dia eu acabo cozinhando sempre o básico, para não fugir muito da alimentação que estamos acostumados, então quando convidamos alguém, eu gosto de experimentar alguma receita.

19. Você já deixou de sair pra algum lugar porque tinha que terminar alguma tarefa doméstica?

🙂 – Jamais.

20. Se você tem um animal de estimação ele vive dentro de casa como um membro da família?

🙂 – Ainda não temos um animal de estimação, mas está nos nossos planos de médio prazo. Vai ser um cachorrinho e com certeza ele ficará dentro de casa como um membro da família.

 

É isso! Mais uma Tag respondida! Acho esse formato muito interessante, e gostaria de tentar responder uma por mês, mas nem sempre encontro Tags que tenham a ver com os temas que trago no Virando Dona. Se alguém aí tiver sugestões, sinta-se à vontade para colocar nos comentários. 🙂

 

Grande Bjo,

Mari Marques.

Você não é o seu Trabalho!

Trabalhe duro, mas não seja apenas isso

Quando falei sobre “O que tenho aprendido com os canadenses”, na semana passada, lembro que mencionei sobre a mentalidade que percebo na maioria das pessoas aqui de se “trabalhar para viver” e não ao contrário.

Fiquei refletindo um pouco sobre isso, e não consigo deixar de comparar com a bagagem cultural que trago nesse sentido, já que a questão profissional tem sido um dilema na minha vida já faz um tempo.

Algumas vezes é difícil desassociarmos uma pessoa daquilo que ela faz enquanto trabalho ou estudo, como se a profissão escolhida, seja ela exercida ou em fase de desenvolvimento, se tornasse quase um traço da personalidade. E apesar de entender que isso é um reflexo natural, já que de fato investimos grande parte do nosso tempo no exercício de um ofício, essa não é uma ideia que me agrada.

Entenda bem… eu concordo que é perfeitamente saudável, e aconselhável, escolher uma profissão que reflita parte de quem nós somos, seja por talentos que possuímos ou ideologias que carregamos. O que me causa desconforto é a ideia de a carreira tornar-se um fim em si mesma, ocupando todo o centro das nossas vidas, ao invés de ser apenas uma ferramenta para que exerçamos os nossos dons e possamos nos desenvolver.

Não é raro ouvirmos histórias de pessoas que ao perderem um emprego passaram a sofrer até com crises de identidade, tendo de reavaliar toda a vida até então. Menos raro ainda é encontrarmos aqueles que negligenciam família, relacionamentos e até a própria saúde, em prol de uma “carreira de sucesso”.

Querido leitor ou leitora… nesse ponto devo lembrar que não existe sucesso que pague o preço de um interior devastado. Qualquer bem material pode ruir em poucos instantes, sem sequer nos darmos conta. E até mesmo o maior dos prestígios profissionais pode ser esquecido, por um simples erro de percurso… sendo certo que ninguém está livre de cometer erros. Por essas e outras, é que não devemos colocar toda nossa esperança e felicidade em algo tão fulgaz.

Antes disso, que possamos ter o discernimento necessário para priorizarmos o que realmente traz valor a nossa vida. De modo que, apesar de em algumas fases ser necessário dedicarmos mais tempo à profissão, que tenhamos equilíbrio suficiente para não permitirmos que isso tome conta de nós, a ponto de o que deveria ser apenas um período tornar-se um estilo de vida.

Outro aspecto que me faz refletir bastante sobre esse tema, é quando penso em o quanto nós mudamos ao longo dos anos… e por mais que eu acredite ser necessário sermos fiéis às nossas escolhas, não tenho certeza sobre o como isso funciona no âmbito profissional, já que podemos simplesmente não nos encaixarmos mais em certos projetos, seja por desilusão (como foi o meu caso) ou pelo sentimento de já termos cumprido o nosso propósito, passando a desejar novos rumos.

Uma coisa surpreendente da vida de imigrante, é conhecer pessoas que literalmente `jogaram para o alto´ ótimas carreiras, a fim de mudar as próprias perspectivas e até de levar uma vida mais simples ou `de boa´. E quando essa decisão é consciente, mesmo havendo o possível julgamento da família e amigos para encarar, a leveza que pode trazer é contagiante.

 Assim, desejo que o seu trabalho possa te realizar sim, mas que você nunca esqueça que a principal função de qualquer ofício é possibilitar uma vida mais plena e não tornar-se o centro da sua vida.

Grande Bjo,

Mari Marques.