Dia 16 – 30 Day Blog Challenge

Diário Blog Challenge

Família

Vida de imigrante é cheia de saudades. Tem dias em que sinto falta até do cheiro de alguma coisa. No entanto, nada faz o coração apertar mais do que estar longe da família. Já até escrevi sobre isso em outro post (clique aqui para ler).

Por mais que a tecnologia ajude a amenizar a distância e facilite a conexão com quem amamos, a possibilidade de perder momentos é constante. E esse é o preço mais alto a se pagar nessa jornada em outro país.

É claro que toda escolha traz uma renúncia, e não posso negar que em contrapartida também tenho vivido bons momentos por aqui, além de todo o aprendizado e crescimento. Mas em algumas ocasiões a distância dói.

Tudo na vida é uma questão de pesos e contrapesos. Enquanto a balança estiver equilibrada podemos seguir levando, porém a partir do momento que algo fica pesado demais, é hora de rever as prioridades. Por enquanto, o querido “Skype” e o Sr. “WhatsApp” estão fazendo um excelente trabalho, e corro para eles sempre que preciso daqueles que são meus. Não substitui o abraço apertado, mas ajuda a nos fazer sentir perto até nosso próximo encontro. Sou grata a esse aspecto da tecnologia.

Acredito que todo imigrante tenha alguma história para contar sobre isso. A distância acaba revelando o quão importante certas pessoas são para nós. Não que não saibamos quando estamos perto, mas se há vantagem em estar longe é que o amor mostra uma de suas vertentes mais bonitas: a superação.

Saudades?! Sinto muita mesmo…. Contudo ela trouxe junto a certeza de que nada nos separa, porque aquilo que nos une é maior do que qualquer outra coisa.

P.S: Pai, mãe e Ju… Amo tanto vocês, que se precisar é capaz de eu ir andando do Canadá para o Brasil só para encontrá-los. :*

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Acho que peguei Homesickness

Homesick

De acordo com a Wikipédia, a homesickness consiste no sofrimento causado por se estar longe de casa, sendo caracterizada por pensamentos de preocupação com o lar e tudo o que está relacionado a ele. E seus principais efeitos seriam a combinação de sintomas depressivos e ansiosos, comportamento recluso e dificuldade de manter o foco em outros temas que não o lar. É conhecida como a “doença do imigrante” e, em suma, pode ser traduzida como a saudade de casa.

Acredito que existam vários níveis e estágios para esse estado emocional, então cada pessoa acaba sentindo de uma forma, talvez uns bem mais intensamente do que outros. Como não tenho base para falar sobre o tema de forma generalizada, vou relatar um pouco da minha experiência com esse turbilhão de emoções que me atingiu, já faz alguns meses, e hoje entendo claramente que foi devido a uma homesick bem chata, mas nada desesperadora, no meu caso.

Completei um ano morando aqui no Canadá em 27 de agosto. Cheguei até a programar uma série de posts especiais para compartilhar um pouco da minha perspectiva sobre a vida neste país, mas me encontrei em meio a um desânimo tão grande que não consegui escrever sobre nenhum dos assuntos que tinha separado. Aliás, deixei muita coisa de lado nesse período. Por via das dúvidas, todas as anotações foram salvas e talvez eu volte a elas no futuro, mas ainda não tão agora.

Acontece que eu estou gostando muito de viver aqui. De verdade! Me sinto tranquila na maior parte do tempo, então demorei um pouco para discernir o que estava se passando dentro de mim e há quanto tempo eu poderia atribuir isso a tal da homesick e não a uma simples ansiedade.

Comecei a desconfiar quando me vi em pleno verão, período onde a cidade fica mais incrível, sem muita vontade de “aproveitar a vida”. Eu não me sinto mais turista aqui, mas também ainda não me sinto parte do lugar, e esse sentimento de “não pertencer” se fez tão forte em alguns momentos que a saudade veio diferente nos últimos meses, acho que doeu um pouco mais do que deveria. Aproveitei como pude, e não me privei de alguns passeios, mas no meu mundo interior me incomodava o fato de a praia não ser a mesma, o calor das pessoas ser diferente, a comida não ser tão saborosa, e por aí vai.

Em alguns momentos, me vi achando tudo um pouco sem graça, e até características locais que eu admirei assim que cheguei, por vezes, me tiravam a paciência. Cheguei ao ponto de me pegar pensando: “Ah…. no Brasil seria diferente”, ou: “brasileiros são tão melhores nisso”. E, de fato temos pontos positivos no Brasil, culturalmente falando, que ao meu ver nos fazem melhores em muitos aspectos, mas não é uma comparação justa. Tanto não o é, que me encontrando nesse estado de homesick, comecei a sentir falta de coisas com as quais nem me importava quando estava no Brasil. Sendo este o estopim para eu refletir sobre todos esses sentimentos que estavam me deixando “para baixo” e perceber que me deixei dominar por uma emocionalidade desencadeada pela saudade por estar longe de casa.

Quando olhamos para o mundo em que estamos inseridos através da névoa de nossas próprias emoções tudo irá parecer distorcido. É nesse momento que devemos confrontar nossa própria realidade, e assim tentar olhar ao redor com clareza, dissipando as interferências causadas pelas emoções através de uma análise mais racional. Estou aqui falando da homesick, mas esse conselho serve para qualquer outra emoção que nos tire dos eixos.

Deixar-se dominar por esse tipo de emocionalidade, é perder a oportunidade de viver o hoje e de apreciar os pontos positivos de uma experiência que pode ser incrível. A partir desse entendimento é que passei a tentar me afastar dos pensamentos que me colocavam no olho desse furacão. Não é fácil, principalmente quando se está longe de quem ama e de tudo o que é familiar, mas lembrar com clareza dos próprios objetivos e exercitar a gratidão pelas coisas mais simples, vai aos poucos dissipando os pensamentos negativos.

Não é fácil se sentir encaixado em uma nova cultura, mas sem dúvida alguma é o tipo de experiência que muda nossas perspectivas e quebra muitos paradigmas dentro de nós. Sempre haverão pontos negativos e perdas em qualquer escolha que se faça nessa vida, mas só o enfrentamento muda quem somos.

Se estou curada? Não poderia dizer com certeza. Acho que este é um sentimento que vai e vem, sendo algumas vezes de forma leve e outras bem mais forte. Por hora, estou animada para o inverno, mais do que estive para o ultimo verão. E apesar de ser um contra-senso*, estou achando muito bom.

Grande Bjo,

Mari Marques.

 

*PS: Descobri que o certo seria “contrassenso”, de acordo com o Acordo Ortográfico de 2009, mas não sei porque me soa estranho, então uso “contra-senso” mesmo. Mas fica registrada a retificação. rs

Saudade de imigrante

saudade

A vida de imigrante traz uns desafios muitas vezes difíceis de lidar. Por isso, é tão comum ouvir relatos de pessoas que desistem do projeto de morar fora ou desenvolvem algum tipo de depressão logo nos primeiros anos.

É muito enriquecedora a oportunidade de viver em outra cultura e aprender coisas novas todos os dias, então me foco nisso sempre que algum pensamento negativo aparece ou tenho de enfrentar alguma situação que seria mais fácil de lidar em meu país natal. Sou extremamente grata a Deus por estar aqui hoje, vivendo tantas experiências novas e construindo uma história ao lado do meu marido, que antes era só um sonho para nós. Por isso não me sinto no direito de reclamar, e jamais o faria. Estou feliz aqui e sei que para tudo há um propósito!

No entanto, toda essa consciência e alegria por viver o que se sonhou não é capaz de atenuar alguns efeitos colaterais do dia a dia de um imigrante. São muitos os desafios que eu poderia elencar aqui, e não caberiam neste post. Então quero relatar ou desabafar sobre o mais difícil deles para mim: a saudade.

Certo é que a tecnologia ajuda muito a administrar esse sentimento. Não imagino como as pessoas lidavam com isso há uns 10 ou 20 anos atrás, sem whats app, facebook e o bendito do skype. Hoje, quando a saudade aperta muito podemos nos ver pela tela do computador e ter uma conversa como se estivéssemos na mesma sala. Ainda assim, não substitui o abraço, o cheiro, o toque… E em alguns dias, é precisamente isso o que a gente mais quer.

Essa é a pior saudade, a falta que sentimos em estar perto daqueles que amamos. Pois, por mais que tentemos nos fazer presentes através da tecnologia, a sensação é de que sempre estamos perdendo alguma coisa, e dói sentir isso. Talvez este seja o preço mais alto a ser pago por viver esse sonho, daí a importância de saber para onde se quer ir.

Existe ainda uma saudade que é difícil de explicar, pois tem a ver com a sensação de pertencer a algum lugar. Não sei se isso acontece com outros imigrantes, mas por vezes sinto falta de ser parte de um todo. Talvez isso mude com o tempo… talvez não. De qualquer forma, é algo com o que estou aprendendo a lidar e ainda associo muito ao sentimento de saudade por ter raízes. Meio estranho, não é?! Acredito que só sentindo para entender.

Fora isso, existem também aquelas saudades bobas, de algum traço cultural, da gastronomia da nossa própria região, algum programa de tv e coisas do tipo. Essas são até bem fáceis de relevar, mas se dermos vazão aos sentimentos que vêm com as saudades que falei mais acima, sentir falta de uma coxinha pode ser um potencializador.

Por maiores que sejam as alegrias em desbravar o mundo, a saudade é algo que todo imigrante tem de aprender a lidar. Acaba virando parte de quem somos, e não acho ruim que seja assim, apesar de parecer difícil as vezes. No fim das contas, significa que temos para onde e para quem voltar.

Grande Bjo,

Mari Marques.

Filosofando as Quatro Estações

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Na última sexta feira, dia 22, começou o outono aqui no Canadá, e eu oficialmente completei quatro estações vividas em um clima temperado. Pode não parecer grande coisa, mas para quem veio de um país tropical onde é verão praticamente o ano inteiro, foi uma experiência incrível e já estou empolgada para viver tudo de novo.

A vida é feita de ciclos, e disso estamos cansados de saber. Só que ver a natureza refletindo essa característica é muito encantador. Traz reflexões e nos faz perceber belezas diferentes em cada etapa.

Outono

Não imaginava que poderia gostar tanto dessa estação. Tanto, que se tornou a minha favorita. Com o frio nórdico ainda suportável, ver as árvores mudando de cor e despindo-se das suas folhas para encarar um rigoroso inverno, nos faz pensar que também na vida deve ser assim: devemos deixar a vaidade e o orgulho de lado para enfrentarmos o que vier pela frente sem amarras, pois só assim em breve tudo irá renascer ainda mais lindo.

O outono, para mim, mostra a importância da renovação. Mais do que isso, mostra que para renovar é preciso antes deixar ir: sejam crenças, status, pré-conceitos, ou qualquer outra coisa. Quem não consegue “abrir mão” não sobrevive ao inverno.

Inverno

Saiba que há beleza também no inverno. O tempo passa mais devagar e tudo parece que vai durar para sempre. Muitas vezes nos faz esquecer que houve um verão. Apesar disso, podemos aos poucos perceber que a neve é uma paisagem a parte, que encanta e pode ser divertida. Se ela nos faz escorregar em alguns momentos (garanto que o tombo dói), também nos ensina a sermos mais atentos, cautelosos e prudentes.

O inverno nórdico nos impõe muitos limites, mas também nos faz mais criativos e solidários. Aliás, minhas amizades canadenses nasceram no inverno.

São meses de introspecção, de pensamentos mais profundos. É aqui que começam os planos, projetos e grandes criações. Talvez por isso que os autores russos sejam tão aclamados. rs

Primavera

Você ainda sente o frio quando as flores começam a desabrochar. É a natureza mostrando que por pior que o inverno tenha sido, uma hora ele tem de acabar e dar espaço ao belo. E aqui você vai ver que toda espera valeu a pena.

É a estação da beleza, das fragrâncias agradáveis, das amenidades. Nada de ruim deve acontecer na primavera. São meses que inspiram romances e nos obrigam a apreciar a paisagem, pois não tem como ser indiferente a ela.

Verão

Com ele estamos mais do que familiarizados. É a estação que mais nos lembra do Brasil, apesar de o calor aqui ser bem mais ameno. É a recompensa por tudo o que passou. Traz consigo o dever de ser bem vivido, já que assim como o inverno, ele também passa, mas deixa saudades ainda maiores.

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Hayward Lake Reservoir – Verão 2016

É a lembrança de um verão bem vivido que nos sustenta nas dificuldades das estações que virão. Meses de alegria, de olhar para o hoje e só por hoje, pois nos faz lembrar que o presente é o que temos de melhor.

Por aqui, mais um ciclo está se iniciando para nós. São mais quatro estações pela frente, que irão mais uma vez nos ensinar e moldar, uma vez que já não somos os mesmos que éramos há um ano atrás, quando tudo começou.

Aproveitei para usar fotos de autoria nossa (minhas e do marido) nesse período, com exceção da foto de capa. Somos amadores na fotografia, de modo que algumas ficam ótimas e outras nem tanto, mas estão todas sem edição, então não julguem! rs

Agora, me diz você: qual sua estação favorita? E o que ela representa para você?

Grande Bjo,

Mari Marques.