O mundo desabando e eu blogando

Velhas Notícias Novas

Minha mãe é uma mulher altamente politizada. Não apenas isso, ela tem convicções fortes e opinião sobre praticamente tudo. Sempre “curti” isso e gosto muito de saber o que ela pensa. Coincidentemente, meu marido, como bom analista do mercado financeiro, campo de estudo que ele ama e escolheu seguir, está sempre antenado ao que está acontecendo, seja no Brasil, aqui no Canadá ou lá na “Conchinchina”… e nunca acredita na primeira notícia que ouve, tendo uma certa “necessidade” de averiguar. Nem preciso dizer que ele também sempre tem opiniões fortes para quase tudo, as quais eu também gosto de saber.

Admiro os dois por isso. Imensamente. Considero fantástica essa capacidade de receber as informações e filtrar de acordo com os próprios conhecimentos, chegando a posicionamentos próprios, sem que ninguém seja capaz de induzir.

Mas cada um é de um jeito, concordam? Eu já caí no erro de querer ler e ouvir tudo que aparecia na minha frente, apenas para ter base nas nossas conversas. Só que com o tempo, fui percebendo o quanto certas notícias me deixam angustiada. O mundo está podre. A realidade humana é podre. E por mais que eu me inteire amplamente a respeito de alguma situação ruim, dificilmente haverá algo que eu possa fazer a respeito, o que torna minha angústia pior.

Recentemente li uma citação do C.S. Lewis nesse sentido, no livro “Surpreendido pela Alegria”, dizendo o seguinte: “Não leio jornais. Ler, sem ter um profundo conhecimento político e econômico, relatos sobre a política e a economia que chegam distorcidos às redações, e saem distorcidos mais ainda por eles mesmos, além de redigidos com todo elogio e gratidão pelos anunciantes; e tentar gravar aquilo que será contradito no dia seguinte; temer e esperar intensamente com base em indícios inconsistentes – tudo isso é seguramente um mal emprego da mente.”

E ele continua dizendo: “Passado um tempo, a maioria dessas informações terá perdido toda a importância. A maior parte do que estiver gravado na memória precisará, portanto, ser desaprendido. E o leitor terá adquirido um gosto incurável pela vulgaridade e o sensacionalismo, e o hábito fatal de voar de parágrafo a parágrafo para ver que uma atriz se divorciou na Califórnia, um trem descarrilou na França e quadrigêmeos nasceram na Nova Zelândia.”

Assim, diante das atuais reviravoltas em nosso país, tomei essa decisão… ouço apenas a opinião daqueles em quem confio e sei que têm base suficiente para emiti-las, mas parei de acompanhar os noticiários e tentar falar sobre o que não tenho como ter certeza apenas com a minha bagagem de conhecimento. Antes disso, melhor me ater à boa literatura e me aprofundar em assuntos que irão contribuir para que eu construa meu próprio senso crítico e desenvolva melhor minha sensibilidade, para não acreditar em qualquer coisa que falam por aí.

E isso não é uma bandeira em prol da alienação. Longe disso. Trata-se apenas de uma opção pessoal para manter meu equilíbrio de espírito, já que não importa em qual canto do mundo eu esteja, o Brasil sempre será meu lar e o que acontece de ruim por lá não apenas me preocupa como também machuca.

Sem contar que nessa nova “onda” estabelecida pelas redes sociais, onde todos se intitulam conscientes e entendidos nos mais variados assuntos, sem sequer terem folheado um livro sobre o tema ou mesmo tido contato com a boa filosofia ou ciência política , confesso que certos tópicos têm me cansado bastante, dada a superficialidade com que são tratados hoje em dia. E se não nos policiarmos, também embarcamos nessa de acharmos que somos bem informados, pelo simples fato de conseguirmos reproduzir informação, que sabe-se lá de onde surgiu.

Então, mais uma vez, não entenda isso como uma incitação à passividade. Nunca faria isso. Então, se está ao seu alcance mudar alguma coisa, seja no seu universo ou coletivamente, por favor, faça o que deve ser feito. Acontece que, infelizmente, hoje eu não tenho conhecimento suficiente para discutir certos temas e tentar conscientizar alguém sobre eles, por mais que no meu íntimo eu consiga identificar um monte de gente falado asneira. Aí lembro de uma citação que ouvi no um mês em que tentei fazer yoga, que era um dos princípios de algum mestre indiano que eu não lembro o nome, no sentido que devemos mudar o que pode ser mudado e aceitar o que não pode, pois “Quanto maior a tranquilidade da mente, maior o discernimento para distinguir entre as duas”.

Por essas e outras, é que pode cair o mundo, eu prefiro seguir aqui blogando… Se é a melhor forma de encarar a realidade, realmente não sei, mas definitivamente é um ótimo jeito de preservar o espírito e manter clareza diante do que ainda virá pela frente. 😉

Grande Bjo,

Mari Marques.

Victoria Day – O feriado da Rainha inglesa no Canadá.

Victoria Day

Olá!

Feriado é sempre tão bom que resolvi até fazer um post só sobre o de hoje que temos aqui no Canadá. Acontece que, toda segunda feira que antecede o dia 25 de maio, nestas terras geladas, que muito têm me acolhido, é celebrado o Victoria Day, em homenagem ao aniversário da Rainha Victória.

Sim…. uma rainha do Reino Unido tem feriado em sua homenagem por aqui, apesar de o Canadá não ser mais uma colônia britânica há mais de 100 anos.

Longe de mim reclamar de um feriado, mas acho interessante essa influência inglesa que existe no Canadá. Talvez eu estranhe porque no Brasil, nosso rompimento com a coroa portuguesa foi de certa forma traumático, então não faria sentido termos um dia para celebrarmos a família real que tanto nos explorou.

Mas por aqui a coisa é bem diferente… percebo até uma certa devoção aos monarcas britânicos. E pela minha breve e superficial pesquisa, parece que isso é meio comum em outras colônias inglesas também.

Acontece que o Canadá não chegou a romper totalmente com a coroa, tendo de suportar o controle britânico sobre seu Ministério das Relações Exteriores durante mais de 64 anos após sua independência, que se deu em 1867. E mesmo depois disso, ainda faz parte do Commonwealth of Nations (Comunidades das Nações), sendo a atual Rainha britânica a cabeça do Estado. E a Rainha Victoria, cujo aniversário se comemora hoje por aqui, é considerada para o canadenses como a “mãe da Confederação”, daí sua importância para o “The Great White North”, jeito carinhoso de se referir ao Canadá.

A disposição política canadense ainda me deixa bem confusa, então não saberia explicar nem se tentasse, até porque também não entendendo bem. O simples fato de se reportarem à coroa britânica, sendo ao mesmo tempo considerados um país livre, dá um nó na minha cabeça. Mas vale a curiosidade, que considero interessante a título de cultura geral. 🙂

Ah… vale mencionar que o Victoria Day, o qual tem sido celebrado mesmo antes de o Canadá se tornar um país, também representa, informalmente, o início do verão. E não é que já está parecendo verão mesmo?!

Hoje em dia, as celebrações canadenses desse feriado contam com o hasteamento da Royal Union Flag em todos os prédios governamentais, aeroportos, bases militares e outras propriedades da Coroa por todo o país. Além disso, nas capitais de cada província faz-se uma saudação armada com 21 tiros. Em Ottawa, que é a capital nacional, isso se dá precisamente ao meio-dia.

Além disso, aqui na província de British Columbia é realizado um dos mais conhecidos desfiles, que acontece justamente na cidade de Victoria.

Abaixo compartilho algumas imagens da celebração deste dia ao redor do Canadá:

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Tá vendo?! Este blog também é cultura! rsrs

Vou me despedindo, pois aqui ainda é início da tarde e pretendo curtir o restante deste feriado que realmente trouxe o sol… 🙂

Grande Bjo,

Mari Marques.

 

*Imagens: Google.

*Fonte: Descubra o Canadá; Wikipedia; Oi Canadá; e outras que esqueci de anotar.

Sobre a minha Mãe – Especial Dia das Mães

Especial Dia das Mães

Este é o primeiro Dia das Mães que passo longe dela. E meu coração está aqui apertado, porque saudade é uma coisa que a gente não vê, mas pode doer muito.

Eu nunca fui de muitos amigos e sempre tive um lado meio introspectivo que me afastava dos grandes círculos sociais ou de amizades mais intimistas. Mudei muito, me forçando a novas experiências, mas ainda conservo bastante dessa característica, de modo que são pouquíssimas as pessoas que podem dizer me conhecer de verdade. Mas nenhuma delas jamais me conhecerá como a minha mãe.

Nosso vínculo sempre foi tão forte e eu reconheço tanto dela dentro de mim, que não estar perto em dias como os de hoje chega a ser muito dolorido. Talvez por eu conseguir sentir a dor da saudade que ela também deve estar sentindo.

Se eu pudesse definir minha mãe em uma palavra, o que é impossível, eu ficaria entre “fé” e “sonhos”. Porque foi ela quem me ensinou a acreditar até no que eu não vejo, e a ir atrás do que sonho profundamente, mesmo que todos a minha volta digam que é loucura. Aliás, ela sempre fez questão de nos lembrar o quão ruim pode ser se não lutarmos por aquilo que queima dentro de nós (mesmo que não se saiba exatamente o que é, sendo melhor correr o risco de descobrir).

Se não fosse por ela, tenho certeza que jamais teria a coragem suficiente para atravessar um continente inteiro atrás de um sonho. É ela quem me faz acreditar que sou capaz de realizar, mesmo que as condições diante de mim digam o contrário.

Obrigada mãe… por tudo o que você é e por tudo o que me ensina a ser!

 

Mãe

 

Te Amo!

Para a minha mãe….

Grande Bjo, da sua Nina

O que tenho aprendido com os canadenses?

Oh, Canada!

Morar em outro país tem sido a experiência mais desafiadora da minha vida. Não apenas pelo aspecto cultural, que é tão enriquecedor, mas também pela revisão forçada de alguns conceitos antigos que eu carregava comigo.

O Canadá é um país realmente multicultural. Aqui você pode encontrar gente de tudo quanto é canto do mundo, com sotaques e costumes dos mais variados, incorporando seus hábitos a um estilo de vida canadense bem customizado. Digo isso porque a própria cultura local algumas vezes fica um pouco apagada diante de tanta diversidade, mas apesar de não ser unanimidade, isso não parece incomodar a maioria.

No começo estranhei um pouco essa característica, e até já me peguei julgando como sendo uma possível “falta de identidade”, o que não poderia ser mais equivocado da minha parte, já que nada identifica mais um canadense do que os conceitos de tolerância e aceitação que eles conseguem elevar a outro nível.

Reflexo disso, é a liberdade que eu percebo aqui para se “ser o que se quer ser”. E isso é literalmente mesmo, de modo que além de o respeito às minorias ser regra indiscutível, você pode ter certeza de que ninguém vai te olhar diferente no dia em que  resolver ir ao supermercado de pijamas ou pintar os cabelos de roxo com laranja.

É claro que nos meus nove meses vivendo nessas terras geladas, também já pude notar aspectos não tão legais do povo que por aqui habita, mas neste post resolvi me concentrar no que admiro e tem me ensinado a rever algumas posturas. E se tem uma coisa que eu realmente gosto nos canadenses, com certeza é a gentileza e a forma pacífica, quase despretensiosa, com que eles levam a vida.

Dificilmente você vai ver um canadense sendo grosseiro sem que haja um baita motivo por traz disso, e, se por algum azar, você pegar um deles em um mal dia, pode ter certeza de que ele se sentirá pior do que você por ter te tratado mal. Isso chega a ser engraçado e é claro que tem muitas vertentes, desde a hipocrisia enrustida até a necessidade cultural de ser agradável, quase que por obrigação. Isso gera uma série de piadinhas mundo a fora, como os famosos “memes” sobre o “canadian sorry”, por essa mania de sempre se desculparem, mesmo quando eles não são os culpados.

2012-04-30-canadianproblems

I-m-canadian-and-i-m-sorry-that-i-m-always-sorry-e

Agora, de tudo o que já pude notar, se existe algo que me impressiona é a igualdade que existe por aqui. Posso estar muito errada, até porque não sou e nem quero ser do tipo que frequenta a “high society”, mas tenho a nítida impressão de que para os canadenses não importa muito “o que você faz” ou “quem você é”, de modo que tanto o operário da construção como o médico cirurgião terão o mesmo nível de tratamento onde forem.

Para quem veio de um país como o nosso, onde infelizmente o que você faz para viver é capaz de te definir socialmente, esse tipo de liberdade é encantadora. As escolhas individuais são de fato tão respeitadas, a ponto de não ser questionado se você tem ou não um nível universitário para determinados cargos, pois se você tiver a experiência e capacidade necessárias, tudo ok.

Isso pode ser considerado um choque cultural, já que crescemos com a ideia de que se determinada pessoa não tiver um diploma na parede, nada do que ela falar pode ser considerado seriamente, mesmo que haja mais conhecimento ali do que em muito diplomado.

Talvez eu até esteja romantizando um pouco as coisas, afinal, apesar das oscilações, ainda não passei da fase do encantamento… Mas, de qualquer forma, a sensação de poder se reinventar sem culpa é maravilhosa… E é aqui que tenho aprendido e me permitido esse recomeço.

Thanks, Canada!

Grande Bjo,

Mari Marques.
*Imagens: Google.