No inverno se hiberna

inverno

Impressionante como o sol é capaz de mudar toda a dinâmica de uma cidade e, principalmente, o ritmo da vida que se leva.

Nada contra o inverno. Pelo contrário. Já cansei de declarar meu amor por essa estação, pela qual me encantei em níveis que nem imaginava. Me descobri uma pessoa totalmente do inverno, e mesmo com as baixas temperaturas que fazem aqui no Canadá, a minha adaptação a esse clima foi bem mais fácil do que esperava inicialmente.

Porém, não há como negar o poder do sol e o tamanho da falta que ele faz. Tanto que é praticamente obrigatório se fazer suplementação de vitamina D por aqui durante o inverno, sob o risco de existirem dias em que até o levantar da cama será uma realização sobre-humana.

Venho pensando nisso, pois essa semana começou a primavera e o sol está voltando aos poucos a dar as caras por aqui. É inevitável sentir uma injeção de ânimo que chega a me surpreender, de modo que não consigo deixar de fazer essa associação.

Curti muito meu inverno. Maratonei minhas séries, assisti filmes embaixo das cobertas, namorei, comi (até demais), aproveitei o pouquinho de neve que tivemos e dormi sem culpa sempre que sobrava um tempo livre. Foi bom, foi feliz. Sinto com sinceridade que não preciso de mais do que isso para considerar minha vida boa. Porém, de fato, não realizei muito além das minhas obrigações. E a vida vai muito além das obrigações, não é mesmo?!

Assim, começo a traçar algumas analogias na minha cabeça, sobre como o clima afeta diretamente a nossa vida e sobre como é responsabilidade nossa sermos adaptáveis a ele, já que não é algo que controlamos. Aliás, não apenas o clima, mas existem tantas outras situações que não controlamos, melhor não as colocarmos como desculpas para as nossas falhas. O melhor mesmo é assumirmos que não importa o que aconteça, a escolha de como isso nos afeta ainda é nossa.

Se o verão, em razão do sol, traz tanta agitação, nos impelindo a uma dinâmica mais ativa, também é o tempo de sedimentar hábitos, para que no inverno (seja no clima ou na vida) possamos dar continuidade a eles, mesmo que sem tanto ânimo para isso.

Nesse sentido, melhor deixar que apenas os ursos hibernem.

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Um texto sobre inconstâncias.

constância

Assim que o ano virou, comprei um planner que prometia ajudar a me manter focada, a fim de tornar o meu 2018 mais produtivo. Até que tem ajudado. Tanto que, de certa forma, me fez refletir sobre alguns padrões que sempre repito.

Logo no primeiro mês, lá em janeiro, a proposta trazida pela desenvolvedora do planner foi encorajar que, ao invés de estabelecer metas a serem cumpridas, o leitor escolhesse uma única palavra sobre a qual se desejasse pautar todos os próximos 12 meses. A ideia é que a palavra tenha um significado pessoal suficiente para inspirar todo o comportamento durante o ano.

Achei a proposta genial, e nem precisei pensar muito. Creio que em algum nível todos sabemos o que fazemos ou não de errado. Assim, minha palavra escolhida foi constância.

Parei para refletir em tudo o que já iniciei de algum forma e acabei deixando de lado após alguns meses,  semanas ou até mesmo dias. Cheguei à conclusão de que se tivesse levado qualquer um dos meus antigos “starts” com constância, à essa altura poderia ser uma grande pianista, uma talentosa pintora, uma karateca medalhista ou até uma musa fitness… Quem sabe?! rs

Não que eu me corroa em remorso, achando que teria feito grande diferença no meu presente ter realizado até o fim alguma dessas atividades. A bem da verdade, nunca saberei com certeza, e aceito isso. No entanto, também não creio que “dar de ombros” seja a melhor forma de lidar com minhas inconstâncias. Daí o porquê da palavra escolhida.

Lembro que no curso de inglês passamos alguns meses lendo um dos livros de John Grisham, autor de bestsellers como “O Dosiê Pelicano” e a “A Firma”, ambos adaptados para o cinema. E na época a professora comentou que ele começou a escrever nas poucas horas que sua bem-sucedida carreira de advogado permitiam, levantando às 5 horas da manhã todos os dias apenas para escrever um pouco antes de ir para o trabalho. Fez isso durante 3 anos até terminar seu primeiro romance (Tempo de Matar), que foi um fracasso (apesar de eu ter achado o filme incrível), mas não o suficiente para fazê-lo desanimar, já que emendou no hábito começando logo a escrever seu próximo romance, A Firma, que trasnformou-o em um autor premiado. Todo esse empenho possibilitou John Grisham largar o direito para fazer o que de fato amava, se tornar escritor em tempo integral, e daí em diante, passou a escrever um romance por ano, sempre figurando na lista dos mais lidos.

Isso, minha gente, é constância. E é justamente o que busco para mim no próximos meses. É focar em algo que considere importante em algum nível e fazer disso um hábito religioso, mesmo que não hajam resultados visíveis. É manter-se no foco apesar de qualquer coisa. É não desistir mesmo que tudo aponte para isso.

Já adianto que está sendo difícil pra caramba. E imaginava mesmo que seria. Daí penso que no meu mar de inconstâncias, talvez meu maior desafio seja justamente ser constante na constância.

 Até breve.

Inspiração para Escrever

escrever

Já perdi a conta de quantas vezes me vi debruçada em determinado assunto, rodeada por um mar de pensamentos e considerações, mas ao tentar transformar tudo isso em texto não conseguir finalizar sequer um parágrafo. Também não raro de me acontecer é saber o que escrever, mas naquele momento não ter muita vontade.

Aliás, esse fator falta de vontade lamentavelmente me persegue e atrapalha também em outras áreas de interesse, mas isso é tema para outro post. Por hora, devo apenas confessar que sinto uma pontinha de inveja (forma de dizer, mas sem a conotação pesada) daqueles que transformam pensamentos em palavras quase que instantaneamente.

Eu tenho de meditar, pensar muito, antes que uma reflexão interna vire texto. E muitas vezes quando finalmente ganha forma, sinto que não é bem o que eu queria passar, ou simplesmente acho raso demais comparado com o que eu tinha em mente.

A graça da escrita, para mim, é colocar para fora algo que estaria me “martelando” por dentro. E enquanto está lá, internamente, nesse meu universo paralelo, tudo o que tenho a dizer parece ser tão incrível, que sempre me decepciono em algum nível quando chego a externar isso. Daí até entendo minha falta de vontade algumas vezes.

Talvez seja o treino que me falte, a constância principalmente, ou mesmo aprender a gerenciar meus pensamentos. Talvez seja uma questão de encontrar o sentido certo. Talvez seja apenas o medo do julgamento que me torna incapaz de soltar tudo o que carrego aqui dentro (sério… como se livra desse medo da opinião alheia?!). Talvez seja tudo ao mesmo tempo e até mais algumas razões que desconheço.

Contudo, a inspiração, propriamente dita, ela sempre existe. Em certos momentos mais barulhenta e em outros quase inaudível, mas está sempre lá. Há sempre algo a ser dito mesmo que não haja alguém para ouvir. Administrar esse “barulho” é que nem sempre é tarefa fácil (nunca é).

Sigo tentando.

Chegamos em março?!

renovar

O ano mal começou e já estamos no mês de março. Praticamente 1/4 dos prometidos doze meses (se minhas associações matemáticas estiverem certas), e a impressão que tenho é que só pisquei os olhos. Talvez até tenha sido isso mesmo, já que viver no piloto automático parece estar virando rotina nos dias de hoje.

Todos possuem uma série de tarefas para cumprir, e pulando de uma para a outra, nem percebemos que, nesse ínterim, possibilidades passam por nós sem que sequer avaliemos novas oportunidades. E veja bem, não me refiro apenas aquelas oportunidades que trazem mudanças incríveis de vida, pois estas são de certo modo até fáceis de perceber. No entanto, viver plenamente não é um conjunto de grandes experiências apenas, mas principalmente um dia a dia bem aproveitado, em todas as suas singelezas, de um simples banho de banheira relaxante até um novo aprendizado capaz de ampliar horizontes.

Quando 2018 chegou, ao contrário dos últimos anos, resolvi não fazer resoluções. Até porque, geralmente tenho sempre uma lista de coisas a realizar durante o ano, e em 6 meses já mal me lembro delas. Decidi então, que seria melhor me focar em metas mensais e, constatei o que já sabia faz tempo: um mês passa muito rápido.

Posso dizer, com certeza, que de tudo o que me propus entre janeiro e fevereiro, realizei apenas 50%. Imagine só o que deve acontecer quando estabeleço metas anuais?! E aonde quero chegar com esse breve devaneio?! De nada adianta a empolgação dos recomeços se as expectativas não forem realistas, e muito menos se com os olhos em algum objetivo, esquecemos de perceber os caminhos que tomamos.

Cada um de nós possui o próprio passo, o próprio ritmo, que nos permitem construir uma história única e sem comparações. Não faria sentido atingir uma resolução pessoal, por menor que fosse, sem percebermos as sutilezas de todo o percurso para essa conquista. É nesse trajeto que somos moldados e é aí que estará todo o ganho, independente do resultado final.

Daí porque, tenho achado muito mais vantagem focar em um mês por vez. Fica mais fácil o “se perceber”.

Ainda temos nove meses pela frente até voltarmos a nos renovar para o ano seguinte. Que sejam meses de aprendizado e aprimoramento. Mas, principalmente, que sejam meses bem vividos, sem oportunidades desperdiçadas, mesmo se o ponto auge for apenas uma volta no parque ou uma conversa despretensiosa entre amigos. Seja como for, que os próximos meses façam valer um ano de nossa história. Só depende de nós escolher vivê-los bem… renovando-nos a cada dia.