Saudade de imigrante

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A vida de imigrante traz uns desafios muitas vezes difíceis de lidar. Por isso, é tão comum ouvir relatos de pessoas que desistem do projeto de morar fora ou desenvolvem algum tipo de depressão logo nos primeiros anos.

É muito enriquecedora a oportunidade de viver em outra cultura e aprender coisas novas todos os dias, então me foco nisso sempre que algum pensamento negativo aparece ou tenho de enfrentar alguma situação que seria mais fácil de lidar em meu país natal. Sou extremamente grata a Deus por estar aqui hoje, vivendo tantas experiências novas e construindo uma história ao lado do meu marido, que antes era só um sonho para nós. Por isso não me sinto no direito de reclamar, e jamais o faria. Estou feliz aqui e sei que para tudo há um propósito!

No entanto, toda essa consciência e alegria por viver o que se sonhou não é capaz de atenuar alguns efeitos colaterais do dia a dia de um imigrante. São muitos os desafios que eu poderia elencar aqui, e não caberiam neste post. Então quero relatar ou desabafar sobre o mais difícil deles para mim: a saudade.

Certo é que a tecnologia ajuda muito a administrar esse sentimento. Não imagino como as pessoas lidavam com isso há uns 10 ou 20 anos atrás, sem whats app, facebook e o bendito do skype. Hoje, quando a saudade aperta muito podemos nos ver pela tela do computador e ter uma conversa como se estivéssemos na mesma sala. Ainda assim, não substitui o abraço, o cheiro, o toque… E em alguns dias, é precisamente isso o que a gente mais quer.

Essa é a pior saudade, a falta que sentimos em estar perto daqueles que amamos. Pois, por mais que tentemos nos fazer presentes através da tecnologia, a sensação é de que sempre estamos perdendo alguma coisa, e dói sentir isso. Talvez este seja o preço mais alto a ser pago por viver esse sonho, daí a importância de saber para onde se quer ir.

Existe ainda uma saudade que é difícil de explicar, pois tem a ver com a sensação de pertencer a algum lugar. Não sei se isso acontece com outros imigrantes, mas por vezes sinto falta de ser parte de um todo. Talvez isso mude com o tempo… talvez não. De qualquer forma, é algo com o que estou aprendendo a lidar e ainda associo muito ao sentimento de saudade por ter raízes. Meio estranho, não é?! Acredito que só sentindo para entender.

Fora isso, existem também aquelas saudades bobas, de algum traço cultural, da gastronomia da nossa própria região, algum programa de tv e coisas do tipo. Essas são até bem fáceis de relevar, mas se dermos vazão aos sentimentos que vêm com as saudades que falei mais acima, sentir falta de uma coxinha pode ser um potencializador.

Por maiores que sejam as alegrias em desbravar o mundo, a saudade é algo que todo imigrante tem de aprender a lidar. Acaba virando parte de quem somos, e não acho ruim que seja assim, apesar de parecer difícil as vezes. No fim das contas, significa que temos para onde e para quem voltar.

Grande Bjo,

Mari Marques.

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Filosofando as Quatro Estações

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Na última sexta feira, dia 22, começou o outono aqui no Canadá, e eu oficialmente completei quatro estações vividas em um clima temperado. Pode não parecer grande coisa, mas para quem veio de um país tropical onde é verão praticamente o ano inteiro, foi uma experiência incrível e já estou empolgada para viver tudo de novo.

A vida é feita de ciclos, e disso estamos cansados de saber. Só que ver a natureza refletindo essa característica é muito encantador. Traz reflexões e nos faz perceber belezas diferentes em cada etapa.

Outono

Não imaginava que poderia gostar tanto dessa estação. Tanto, que se tornou a minha favorita. Com o frio nórdico ainda suportável, ver as árvores mudando de cor e despindo-se das suas folhas para encarar um rigoroso inverno, nos faz pensar que também na vida deve ser assim: devemos deixar a vaidade e o orgulho de lado para enfrentarmos o que vier pela frente sem amarras, pois só assim em breve tudo irá renascer ainda mais lindo.

O outono, para mim, mostra a importância da renovação. Mais do que isso, mostra que para renovar é preciso antes deixar ir: sejam crenças, status, pré-conceitos, ou qualquer outra coisa. Quem não consegue “abrir mão” não sobrevive ao inverno.

Inverno

Saiba que há beleza também no inverno. O tempo passa mais devagar e tudo parece que vai durar para sempre. Muitas vezes nos faz esquecer que houve um verão. Apesar disso, podemos aos poucos perceber que a neve é uma paisagem a parte, que encanta e pode ser divertida. Se ela nos faz escorregar em alguns momentos (garanto que o tombo dói), também nos ensina a sermos mais atentos, cautelosos e prudentes.

O inverno nórdico nos impõe muitos limites, mas também nos faz mais criativos e solidários. Aliás, minhas amizades canadenses nasceram no inverno.

São meses de introspecção, de pensamentos mais profundos. É aqui que começam os planos, projetos e grandes criações. Talvez por isso que os autores russos sejam tão aclamados. rs

Primavera

Você ainda sente o frio quando as flores começam a desabrochar. É a natureza mostrando que por pior que o inverno tenha sido, uma hora ele tem de acabar e dar espaço ao belo. E aqui você vai ver que toda espera valeu a pena.

É a estação da beleza, das fragrâncias agradáveis, das amenidades. Nada de ruim deve acontecer na primavera. São meses que inspiram romances e nos obrigam a apreciar a paisagem, pois não tem como ser indiferente a ela.

Verão

Com ele estamos mais do que familiarizados. É a estação que mais nos lembra do Brasil, apesar de o calor aqui ser bem mais ameno. É a recompensa por tudo o que passou. Traz consigo o dever de ser bem vivido, já que assim como o inverno, ele também passa, mas deixa saudades ainda maiores.

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Hayward Lake Reservoir – Verão 2016

É a lembrança de um verão bem vivido que nos sustenta nas dificuldades das estações que virão. Meses de alegria, de olhar para o hoje e só por hoje, pois nos faz lembrar que o presente é o que temos de melhor.

Por aqui, mais um ciclo está se iniciando para nós. São mais quatro estações pela frente, que irão mais uma vez nos ensinar e moldar, uma vez que já não somos os mesmos que éramos há um ano atrás, quando tudo começou.

Aproveitei para usar fotos de autoria nossa (minhas e do marido) nesse período, com exceção da foto de capa. Somos amadores na fotografia, de modo que algumas ficam ótimas e outras nem tanto, mas estão todas sem edição, então não julguem! rs

Agora, me diz você: qual sua estação favorita? E o que ela representa para você?

Grande Bjo,

Mari Marques.

Victoria Day – O feriado da Rainha inglesa no Canadá.

Victoria Day

Olá!

Feriado é sempre tão bom que resolvi até fazer um post só sobre o de hoje que temos aqui no Canadá. Acontece que, toda segunda feira que antecede o dia 25 de maio, nestas terras geladas, que muito têm me acolhido, é celebrado o Victoria Day, em homenagem ao aniversário da Rainha Victória.

Sim…. uma rainha do Reino Unido tem feriado em sua homenagem por aqui, apesar de o Canadá não ser mais uma colônia britânica há mais de 100 anos.

Longe de mim reclamar de um feriado, mas acho interessante essa influência inglesa que existe no Canadá. Talvez eu estranhe porque no Brasil, nosso rompimento com a coroa portuguesa foi de certa forma traumático, então não faria sentido termos um dia para celebrarmos a família real que tanto nos explorou.

Mas por aqui a coisa é bem diferente… percebo até uma certa devoção aos monarcas britânicos. E pela minha breve e superficial pesquisa, parece que isso é meio comum em outras colônias inglesas também.

Acontece que o Canadá não chegou a romper totalmente com a coroa, tendo de suportar o controle britânico sobre seu Ministério das Relações Exteriores durante mais de 64 anos após sua independência, que se deu em 1867. E mesmo depois disso, ainda faz parte do Commonwealth of Nations (Comunidades das Nações), sendo a atual Rainha britânica a cabeça do Estado. E a Rainha Victoria, cujo aniversário se comemora hoje por aqui, é considerada para o canadenses como a “mãe da Confederação”, daí sua importância para o “The Great White North”, jeito carinhoso de se referir ao Canadá.

A disposição política canadense ainda me deixa bem confusa, então não saberia explicar nem se tentasse, até porque também não entendendo bem. O simples fato de se reportarem à coroa britânica, sendo ao mesmo tempo considerados um país livre, dá um nó na minha cabeça. Mas vale a curiosidade, que considero interessante a título de cultura geral. 🙂

Ah… vale mencionar que o Victoria Day, o qual tem sido celebrado mesmo antes de o Canadá se tornar um país, também representa, informalmente, o início do verão. E não é que já está parecendo verão mesmo?!

Hoje em dia, as celebrações canadenses desse feriado contam com o hasteamento da Royal Union Flag em todos os prédios governamentais, aeroportos, bases militares e outras propriedades da Coroa por todo o país. Além disso, nas capitais de cada província faz-se uma saudação armada com 21 tiros. Em Ottawa, que é a capital nacional, isso se dá precisamente ao meio-dia.

Além disso, aqui na província de British Columbia é realizado um dos mais conhecidos desfiles, que acontece justamente na cidade de Victoria.

Abaixo compartilho algumas imagens da celebração deste dia ao redor do Canadá:

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Tá vendo?! Este blog também é cultura! rsrs

Vou me despedindo, pois aqui ainda é início da tarde e pretendo curtir o restante deste feriado que realmente trouxe o sol… 🙂

Grande Bjo,

Mari Marques.

 

*Imagens: Google.

*Fonte: Descubra o Canadá; Wikipedia; Oi Canadá; e outras que esqueci de anotar.

[Tag] Morando Fora – British Columbia, Canadá

Morando Fora

Morando no Canadá há pouco mais de meio ano, hoje resolvi responder a Tag Morando Fora, para tentar compartilhar um pouco das minhas percepções por aqui até então.

Espero que seja útil para quem tem interesse em conhecer um pouquinho mais sobre esse país, e também para quem pensa em vir morar aqui um dia.

Vamos às perguntas:

1. Seu nome.

🙂 – Mariana

2. Em que país e cidade você mora?

🙂 – Moro no Canadá, na província de British Columbia. Mais especificamente Coquitlam, que fica na região de Metro Vancouver.

3. Mora sozinho ou com sua família?

🙂 – Moro com meu marido, e somos uma família.

4. Há quanto tempo reside aí?

🙂 – Completamos 9 meses morando aqui na ultima semana.

5. Já morou em algum outro país? Qual?

🙂 – Nunca. Canadá é o primeiro país, além do Brasil, que eu já morei.

6. Qual sua idade?

🙂 – 32 anos

7. Como surgiu a ideia de morar no exterior?

🙂 – Na verdade, eu sempre sonhei em ter uma experiência internacional como essa, e coincidiu de meu marido também carregar esse sonho. Mesmo antes de nos casarmos, ele já falava que tinha vontade de fazer um curso no exterior, para agregar ao currículo dele. Quando nos casamos, esse sonho foi crescendo dentro de nós, e colocamos diante de Deus, para que no momento certo as coisas fluíssem de acordo com a vontade dEle, já que acreditamos ser essa a melhor forma de orientarmos nossas decisões. Então, quando surgiu a oportunidade, não pensamos duas vezes.

8. Foi difícil conseguir o visto de residência?

🙂 – Nosso visto de residência é temporário. Não foi difícil conseguir, por termos apresentado um objetivo definido, que é o curso do meu marido, de modo que nosso visto está atrelado a isso. Ainda não sei dizer como funciona para visto de residência permanente.

9. Qual pior situação que você já passou aí?

🙂 – Graças a Deus ainda não tivemos uma situação difícil a ponto de considerarmos ser a pior, apesar de sabermos que não estamos imunes a isso, já que a vida de imigrante tem mesmo seus percalços.

Para mim, particularmente, a maior dificuldade assim que chegamos foi o idioma. Continua sendo meio estressante viver em outra língua sem ter fluência, mas agora eu consigo entender bem mais o que as pessoas estão falando e consigo me fazer entender também. O início foi bem desesperador nesse sentido, apesar de eu ter vindo com uma certa noção do inglês.

Pensando bem, uma situação que não podemos considerar difícil, mas demoramos a nos adaptar foi com relação ao transporte. Porque aqui os ônibus passam em horário bem definido, sendo muito raro haver atrasos. Como bons cariocas , já perdemos a conta das vezes que tivemos de literalmente correr atrás do ônibus, chegando a perder algumas vezes, o que sempre é um baita contratempo.

10. Fale de um ponto turístico que você gosta. Fale um pouco sobre ele.

🙂 – Eu demorei um pouco para me adaptar ao clima, então não me animei muito para sair de casa nesses meses de inverno. Só agora, com o verão chegando, é que vamos aproveitar mais os passeios. Por esse motivo, não tenho ainda um ponto turístico específico para indicar como o meu favorito, mas pelo que já vi até agora, acho que a maior atração de British Columbia são os parques. Não importa o tamanho, todos os que já pude visitar até agora são incríveis.

11. Você fala a língua local? Acha que é importante aprender?

🙂 – Não posso dizer que sou fluente, mas sim, consigo me comunicar na língua local. Não apenas importante, é fundamental aprender o idioma do país onde se quer morar. Já é difícil sem ter fluência na língua, imagino que seria impossível viver aqui sem entender nada.

12. O que você pensa do país que você mora? Eles recebem bem os brasileiros aí?

🙂 – O Canadá é um país multicultural. Aqui temos a oportunidade de ter contato com muitas culturas diferentes ao mesmo tempo. Creio que por esse motivo eles são bem receptivos no geral, não apenas com os brasileiros. Mas, por outro lado, também não concordo quando dizem que aqui não existe preconceito com relação aos imigrantes, porque por mais receptivos que sejam, existem sim aquelas pessoas que não estão muito felizes com a atual política de imigração adotada no país.

13. Sente muita falta da família?

🙂 – Definitivamente, a pior parte de se morar fora é a falta que sentimos da família. Tem dias que são muito difíceis mesmo com relação a isso, principalmente as datas especiais e aniversários, mas até dias normais podem ser difíceis por não podermos compartilhar diretamente nosso dia a dia.

Confesso que se pensasse muito nisso, acho que pegaria o próximo avião de volta. Não consigo nem descrever como é o sentimento de se estar longe das pessoas que eu amo.

Talvez se eu estivesse aqui sozinha não daria conta de ficar, mas como estou com meu marido, nós nos apoiamos mutuamente quando a saudade aperta.

14. De quais produtos brasileiros mais sente falta?

🙂 – Sinto muita falta da massa de tapioca pronta. Aqui eu até encontrei a farinha de tapioca, mas me dá preguiça de hidratar, então acabei tirando esse item da minha alimentação, sendo que eu comia todo dia no Brasil.

Na verdade, acho que é só isso mesmo. Não consigo me lembrar de outra coisa da qual realmente sinta falta assim. As vezes até bate saudade de algumas comidinhas que não têm aqui, como o chips Fandangos, por exemplo, mas a verdade é que a gente acaba se adaptando ao que tem… e tem muita coisa… rs

15. Quais os seus planos para o futuro? Pretende morar aí para sempre?

🙂 – Para sempre é muita coisa quando apenas se está no início de uma jornada, como é o nosso caso. Temos gostado muito de viver aqui nesses últimos meses, mas preferimos dar um passo de cada vez, até porque, nosso visto tem prazo de validade e, querendo ou não, o Brasil sempre será a nossa casa.

16. O que tem no país que você mora que você usa no dia a dia e acha que devia ser implantado no Brasil?

🙂 – A primeira coisa que me vem na mente é água quente na torneira da cozinha. rsrs Mas como foram poucas as vezes em que achei isso necessário no Brasil, prefiro dar outra opção.

Aqui em British Columbia, nós usamos um aplicativo no celular que é diretamente ligado à rede de transporte público, a TransLink. Então, nós sabemos o horário que o ônibus vai passar em cada ponto, se ele vai atrasar, e também o tempo exato que vai levar para chegarmos onde queremos de acordo com o schedule do transporte, considerando inclusive os possíveis engarrafamentos. Acho isso uma mão-na-roda, e seria bem legal ter algo assim no Brasil.

17. Qual sugestão ou dica você daria para quem gostaria de viver nesse país?

🙂 – Primeiro de tudo: ESTUDE INGLÊS! Sério! Existe muita propaganda sobre o Canadá ser um país de portas abertas para estrangeiros, mas a verdade é que você não vai conseguir ficar por aqui se não souber a língua local. E acho justo!

Outra coisa que penso ser importante quando se fala em mudar para outro país, e não apenas o Canadá, é manter a mente aberta. Esteja disposto a aprender sobre outros estilos de vida e, acima de tudo, abra mão de qualquer preconceito que você tiver. Só assim a experiência será verdadeiramente enriquecedora.

18. Se você pudesse descrever em uma palavra a experiência que está vivendo nesse país, qual seria?

🙂 – Crescimento.

19. Mostre algumas fotos da cidade que mora.

🙂 – Queria mostrar fotos minhas aqui, mas ainda estou começando na fotografia, e não acho que minhas fotos já estejam boas para divulgar. Então selecionei algumas fotos turísticas que encontrei na internet, para vocês verem como é linda British Columbia.

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É isso! Espero que tenham gostado! Vou tentar responder uma TAG nova todo mês. Se tiverem sugestões, podem enviar para mim! 😉

Grande Bjo,

Mari Marques.

*Imagens: Google.