O que tenho aprendido com os canadenses?

Oh, Canada!

Morar em outro país tem sido a experiência mais desafiadora da minha vida. Não apenas pelo aspecto cultural, que é tão enriquecedor, mas também pela revisão forçada de alguns conceitos antigos que eu carregava comigo.

O Canadá é um país realmente multicultural. Aqui você pode encontrar gente de tudo quanto é canto do mundo, com sotaques e costumes dos mais variados, incorporando seus hábitos a um estilo de vida canadense bem customizado. Digo isso porque a própria cultura local algumas vezes fica um pouco apagada diante de tanta diversidade, mas apesar de não ser unanimidade, isso não parece incomodar a maioria.

No começo estranhei um pouco essa característica, e até já me peguei julgando como sendo uma possível “falta de identidade”, o que não poderia ser mais equivocado da minha parte, já que nada identifica mais um canadense do que os conceitos de tolerância e aceitação que eles conseguem elevar a outro nível.

Reflexo disso, é a liberdade que eu percebo aqui para se “ser o que se quer ser”. E isso é literalmente mesmo, de modo que além de o respeito às minorias ser regra indiscutível, você pode ter certeza de que ninguém vai te olhar diferente no dia em que  resolver ir ao supermercado de pijamas ou pintar os cabelos de roxo com laranja.

É claro que nos meus nove meses vivendo nessas terras geladas, também já pude notar aspectos não tão legais do povo que por aqui habita, mas neste post resolvi me concentrar no que admiro e tem me ensinado a rever algumas posturas. E se tem uma coisa que eu realmente gosto nos canadenses, com certeza é a gentileza e a forma pacífica, quase despretensiosa, com que eles levam a vida.

Dificilmente você vai ver um canadense sendo grosseiro sem que haja um baita motivo por traz disso, e, se por algum azar, você pegar um deles em um mal dia, pode ter certeza de que ele se sentirá pior do que você por ter te tratado mal. Isso chega a ser engraçado e é claro que tem muitas vertentes, desde a hipocrisia enrustida até a necessidade cultural de ser agradável, quase que por obrigação. Isso gera uma série de piadinhas mundo a fora, como os famosos “memes” sobre o “canadian sorry”, por essa mania de sempre se desculparem, mesmo quando eles não são os culpados.

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Agora, de tudo o que já pude notar, se existe algo que me impressiona é a igualdade que existe por aqui. Posso estar muito errada, até porque não sou e nem quero ser do tipo que frequenta a “high society”, mas tenho a nítida impressão de que para os canadenses não importa muito “o que você faz” ou “quem você é”, de modo que tanto o operário da construção como o médico cirurgião terão o mesmo nível de tratamento onde forem.

Para quem veio de um país como o nosso, onde infelizmente o que você faz para viver é capaz de te definir socialmente, esse tipo de liberdade é encantadora. As escolhas individuais são de fato tão respeitadas, a ponto de não ser questionado se você tem ou não um nível universitário para determinados cargos, pois se você tiver a experiência e capacidade necessárias, tudo ok.

Isso pode ser considerado um choque cultural, já que crescemos com a ideia de que se determinada pessoa não tiver um diploma na parede, nada do que ela falar pode ser considerado seriamente, mesmo que haja mais conhecimento ali do que em muito diplomado.

Talvez eu até esteja romantizando um pouco as coisas, afinal, apesar das oscilações, ainda não passei da fase do encantamento… Mas, de qualquer forma, a sensação de poder se reinventar sem culpa é maravilhosa… E é aqui que tenho aprendido e me permitido esse recomeço.

Thanks, Canada!

Grande Bjo,

Mari Marques.
*Imagens: Google.

O que fazer com as frustrações?

Lidando com o que frustra

Após alguns meses vivendo aqui no Canadá e tentando me adaptar ao novo idioma, finalmente dei início à busca por um emprego nesta terra estrangeira. Tenho participado de algumas seleções e logo na primeira delas, umas perguntinhas me chamaram a atenção: Você desiste de algo quando se sente frustrado? e O que você faz quando uma situação não sai como o planejado?

Não lembro se foram exatamente com essas palavras, mas a ideia embutida nas perguntas era essa sim, e me vi pensando nisso por um bom tempo depois que terminei de responder ao questionário.

Nunca trabalhei com Recursos Humanos ou algo do gênero, então não sei o porquê de se perguntar sobre isso, mas fiquei imaginando que talvez o empregador em questão já houvesse tido problemas com pessoas que não sabiam lidar com as frustrações no trabalho. E, de fato, não é raro encontrar pessoas que reajam muito mal aos contratempos e intempéries que surgem no caminho de um projeto.

Particularmente, não vejo dificuldades em lidar com isso profissionalmente, por ser um âmbito onde os objetivos finais costumam ser bem definidos, o que facilita possíveis “redefinições de rota” caso haja algum contratempo. Já quando trazemos isso para o lado dos objetivos pessoais ou mesmo para dentro de um relacionamento, a história já não é tão simples. :/

Talvez a solução seja justo o que falei aí em cima: ter claro o onde se quer chegar para não “empacar” nos possíveis desvios pelo caminho. E embora seja muito lógico na teoria, saber disso não torna mais fácil encarar as frustrações na vida prática, ainda mais quando nos encontramos no “olho do furacão”.

Então o que fazer para lidar com isso quando nossos planos se frustram ou as pessoas que amamos não atendem às nossas expectativas?

A verdade é que consigo enxergar apenas duas opções:

1) se deixar dominar pelo sentimento de frustração e acumular amarguras dentro de si; ou

2) aprender com a situação e, a partir disso, traçar novos objetivos, mais aprimorados pela experiência, ou simplesmente adaptar-se ao que não pode ser mudado, não por conformismo, mas passando a olhar por uma nova ótica, e assim começar a apreciar o que se tem, o que pode ser surpreendente.

Acho que não preciso explicar o porquê de eu preferir a segunda opção, mas existe a possibilidade de você nem perceber que está optando pela primeira escolha, que é tão negativa. Acontece que, muitas vezes todo esse processo de frustrar-se acontece de forma bem sutil, e vamos acumulando sentimentos nocivos por pequenas coisas. Isso acaba minando não apenas a nossa confiança em nós mesmos, mas nosso desempenho na vida, nossos relacionamentos, nossa resistência ao inesperado e principalmente a capacidade de renovar-se.

Temos de ter em mente de que tudo o que traçamos como ideal, encontra-se em um campo inatingível. Não é justo exigirmos de nós mesmos e daqueles que amamos padrões tão altos e inalcançáveis. Antes, devemos em cada etapa de realização, adequarmos nossos planos à realidade que temos. E apesar de nem sempre ela ser tão florida como nos sonhos, com certeza podemos literalmente transformá-la em nossa melhor opção, mudando o que pode ser mudado.

Acredito que para isso sejam necessários exercícios diários, começando pelos atos constantes de gratidão, aprendendo a enxergar a vida e aqueles que nos cercam como realmente são ou podem ser, e nada além disso. A partir daí, as medidas que tomarmos enquanto evolução serão  muito mais eficazes, e evitaremos as frustrações por já estarmos plenos antes mesmo dos resultados.

Como diria Aristóteles, “conhecer a si mesmo é o começo de toda sabedoria”, e penso que devemos encarar isso não apenas no que se refere a quem somos internamente, mas também de forma externa, considerando tudo o que nos rodeia, desde o universo a que fazemos parte como aqueles que o integram. E, assim, abrindo mão das imagens que criamos e dos conceitos que pré-estabelecemos como ideais, ficamos livres para apreciar tudo e todos como realmente são, diminuindo o espaço para possíveis frustrações.

“Aprenda a ser quem você é, e aprenda a aceitar de boa graça tudo o que você não é” (Henri Frederic Amiel). E verá que a vida pode ser muito melhor apreciada, se permitirmos que ela nos surpreenda com suas próprias possibilidades, ao invés de lutarmos para que ela se encaixe no que prematuramente decidimos que deveria ser.

Eu mesma poderia dar exemplos de coisas que me aconteceram e se saíram muito melhores do que se tivessem seguido o “meu script”. Mas só foi assim, porque não permiti que “meus planos” me impedissem de viver o que se apresentava como presente.

Então, da próxima vez que as coisas não saírem como você queria, ou aquela pessoa que é tão importante para você não agir exatamente como você desejava, mude um pouco o seu olhar e permita-se surpreender-se.

Grande Bjo,

Mari Marques.

Participando de um Grupo de Apoio FlyLady

GruposFly

Olá meninas!

Quem tem me visto escrever sobre o sistema Fly ultimamente, pode estar se perguntando como funciona exatamente, já que apesar de ter exposto o tema no post Agora sou Fly, não cheguei a detalhar as etapas e a mudança que tenho sentido na vida prática.

Acontece que ainda não me sinto confortável para lançar aqui um “manual” sobre o assunto, já que vira e mexe eu “caio do barco”, tendo muito o que caminhar e aprender até transformar alguns hábitos e sedimentar os conceitos do Sistema.

Apesar disso, hoje eu quero deixar uma dica para quem estiver interessado em participar do FlyLady e, com isso, também compartilhar minha experiência até aqui.

Se tem algo que definitivamente tem me mantido firme nessa busca por uma vida mais simples e prática, começando pelas rotinas dentro de casa, com certeza são os grupos de apoio que encontrei dentro do Sistema Fly.

A partir do momento que você se cadastra no site da FlyLady vai passar a receber via e-mail desde as missões diárias até o que chamam de “planos de vôo”, que seriam as rotinas, passando a receber também os depoimentos de outras flys que já alcançaram seus objetivos, o que ajuda na parte motivacional e é bem legal.

No entanto, além de o site ser todo em inglês, eu particularmente acho a interação um pouco impessoal, o que no meu ponto de vista facilita a não adaptação. Com isso, e pesquisando mais a respeito, descobri que muitas brasileiras criaram grupos nas redes sociais, como facebook e whats app, para interagir com outras pessoas que também estão tentando embarcar nessa. E como isso ajuda.

A título de depoimento pessoal, devo dizer que a melhor parte de ter descoberto sobre a FlyLady foi justamente a oportunidade de trocar experiências com pessoas reais que vivem no mesmo dilema das tentativas e erros que eu. Saber que você não está sozinha, e que outras pessoas também passam ou passaram pelos mesmos conflitos internos, é realmente o ponto alto para se manter firme, mesmo quando parece que não está dando certo. Além de perceber que cada um se adapta de uma forma, então nada tem que ser feito “a ferro e fogo”, de modo que se não estiver dando certo da forma estritamente indicada, tudo bem adequar ao seu jeito… há grandes chances de que seja até melhor.

Trocando informações, você começa a perceber que cada um tem um ritmo, e os resultados irão aparecer em seu próprio tempo, então é bobagem se sentir  pressionada a realizar tarefas que vão além das suas possibilidades naquele momento. Isso não apenas dentro de casa, mas na vida. Assim como você existem aquelas meninas que também demoram a entrar no ritmo por inúmeros motivos, mas ao reconhecer os resultados delas, também é possível notar sua própria evolução. O importante é não desistir! 🙂

Confesso que estou um pouco ansiosa para chegar aqui e mostrar resultados práticos, falando sobre como consegui supera hábitos antigos para alcançar os resultados que eu queria, mas tenho aprendido a valorizar as pequenas conquistas diárias, mesmo que só eu note algumas delas…. Este é um exercício que faz bem e que tenho aprendido nos grupos que encontrei nesse universo incrível.

Enfim…. como falei lá em cima, espero em breve poder dar “dicas” mais eficazes de como fazer dar certo as organizações pessoais, mas por hora, acho que o que melhor posso indicar para quem também caiu de paraquedas na vida de dona de casa e não sabe por onde começar é procurar um grupo onde você se sinta bem de participar!

E enquanto não encontra, pode compartilhar suas experiências aqui mesmo, vai ser muito legal essa troca! 🙂

Beijos,

Mari Marques.

 

Os primeiros desafios da Vida de Casada

Sobre Relacionamentos

Quando o assunto é casamento, a maioria das pessoas passa anos sonhando com o grande dia, mas esquece de se preparar para o que vem depois de toda a festa.

Acordar todos os dias ao lado da pessoa que você ama e com a qual agora você tem um pacto de vida é, de fato, uma sensação maravilhosa, mas pode ser também o maior desafio que você já teve de encarar.

Desafio, porque duas pessoas com bagagens tão distintas, personalidades e desejos tão próprios, não vão simplesmente passar a caminhar na mesma direção como que por um passe de mágica. Isso é lindo nos filmes, mas é utópico. E é bom que seja assim. Caso contrário, grande parte da beleza de se construir um relacionamento estaria perdida.

Então, para mim, o primeiro grande desafio da vida de casada é (e foi) justamente a adaptação à convivência. São as manias de cada um que o casal terá de se acostumar, certos hábitos que ambos terão de perder ou mudar, e principalmente a sensibilidade para perceber quem de fato é o outro. Porque se tem algo que o casamento irá fazer é colocar uma enorme lente de aumento em cima de vocês dois.

Assim, coisas com as quais você sequer se incomodava antes, podem passar a irritar profundamente. E não apenas isso, mas em algum momento você vai começar a perceber detalhes da personalidade do outro e de toda a história que ele carrega, descobrindo coisas boas e não tão boas também. Mas antes de pensar que isso pode ser pesado demais para encarar, lembre-se que é recíproco…. sua “caixinha de Pandora” eventualmente irá se abrir e seu parceiro também terá de lidar com tudo o que você é ou não é.

E está aí uma das razões por hoje eu acreditar que a verdadeira “lua de mel” só vai  começar mesmo após o primeiro ou primeiros anos de casamento. Principalmente, porque você só vai poder dizer que realmente ama alguém, após conhecer todas as suas vertentes, desde as melhores virtudes até os piores defeitos, sem esquecer das doses de “loucura” que cada um traz consigo. E sobrevivendo a isso, o amor passa a se apresentar de uma forma muito mais madura, diferente de tudo que você possa ter vivido até então, trazendo conforto, segurança e um afeto indescritível pelo outro e por tudo o que passam a construir juntos.

Fico imensamente triste quando vejo casais desistindo logo nas primeiras crises, que são tão necessárias para aperfeiçoar o amor. Como mulher cristã, acredito que a base para o casamento é muito mais do que um sentimento romântico, mas a fidelidade à uma escolha feita em forma de aliança. E é através dela que o amor sai fortalecido após os  contratempos na caminhada da vida.

Paul Washer, um pregador norte-americano que gosto muito de ouvir, diz que Deus o levará ao relacionamento com alguém que, na maioria das vezes, não é apenas incompatível com você, mas que é fraco exatamente nas áreas que você quer que essa pessoa seja forte, e isso justamente para que o amor incondicional, a misericórdia e a graça de Cristo sejam refletidos em você. Isso é muito forte!

Sei que muitas pessoas não acreditam nessa visão bíblica do casamento, mas a beleza que vejo nisso está no fato de podermos nos tornar pessoas muito melhores do que um dia imaginamos ser, justamente por permitirmos em amor que o outro nos transforme, transformando a ele também. E isso independe de religião, tem mais a ver com a forma como encaramos nosso próprio orgulho, já que mudar dói, ainda mais se for algo no qual nos apoiamos por muito tempo.

Dito isso tudo, o que tenho aprendido nos meus primeiros anos de casada é que quando a gente “baixa a guarda” e se abre para as mudanças que surgem pelo relacionar-se com o outro, passando a enxergá-lo sem os ideais que possamos ter criado, acabamos descobrindo quem de fato somos e tudo o que podemos ser.

Sim, é desafiador, mas posso dizer sem sombra de dúvidas que é uma experiência incrível! Hoje, me vejo capaz de coisas que, por medo, me travava no passado. E isso, pelo simples fato de ter aprendido a tirar o foco de mim mesma, me descobrindo muito mais adaptável do que julgava ser.

É claro que quando o casal tem a mesma visão de como conduzir um relacionamento, é tudo muito mais simples, mas nada impede que a partir de uma atitude sua o outro sinta os reflexos positivos e siga na mesma direção.

Bom… eu sou uma super fã de casamentos, porque apesar de saber que não é o amor que sustenta um relacionamento, mas sim o relacionamento é que sustenta o amor, como bem diz outro pregador que gosto muito, John Piper, acho lindo ver a forma como esse sentimento se aperfeiçoa quando permitimos que isso aconteça. Então sempre vou torcer e dar conselhos para que se lute, porque eu sei que quando o casal se empenha, não importa a situação, o que vem depois é sempre melhor.

Abaixo deixarei alguns links sobre casamento que acho interessantes. Espero que edifiquem.

Grande Bj,

Mari Marques.

 

Links:

Casamento e Amor – John Piper, Don Carson e Tim Keller

A Glória de Deus no Casamento – Por Paul Washer e John Piper