[Tag] Vida de Estrangeira

Vida de Estrangeira

Olá pessoal!

Tenho estado um pouco sumida do blog nos últimos dias, e como já falei em outro post, desde que comecei a escrever regularmente por aqui fico me sentindo bem pesarosa quando não consigo atualizar as postagens. Este blog tem se tornado uma ótima companhia, e definitivamente não quero deixá-lo de lado. rs

Então, para a semana não passar em branco, já que não trouxe nenhuma atualização, hoje vou responder à Tag: Vida de Estrangeira, que vi no canal da Lívia Lamblet Heatherly, uma brasileira morando nos Estados Unidos.

Também quis responder a essa Tag específica, porque no final do mês completaremos um ano morando aqui no Canadá, então achei que poderia ser interessante, até mesmo para comparar minhas percepções no futuro. Vamos às perguntas! 🙂

 

1. Nome.

🙂 – Mariana

2. Idade e país onde reside.

🙂 – Tenho 32 anos e estou morando em British Columbia, no Canadá.

3. Há quanto tempo você mora fora do Brasil?

🙂 – No próximo dia 27, meu marido e eu completaremos 1 ano morando aqui.

4. Como foi a sua fase de adaptação?

🙂 – Eu acho que os primeiros meses são de puro encantamento, já que tudo é novidade. A adaptação começa um pouco depois, conforme vamos nos inserindo na “vida real”. Eu sinto que ainda estou nessa fase. Algumas coisas já são mais fáceis do que antes, outras ainda continuam um pouco difíceis, e acredito que haverão mais descobertas pela frente. Talvez seja melhor responder esta pergunta no futuro.

5. O que mais te assustou na cultura desse país?

🙂 – O Canadá é uma país muito aberto à imigração (apesar de não ser tão fácil como dizem por aí), então aqui tem gente de tudo quanto é canto desse mundo. Consequentemente, as influências são bem variadas, e muitos imigrantes vem para cá mas não se inserem completamente na cultura local, mantendo suas próprias tradições.

Não posso dizer que isso me assustou, mas estranhei um pouco, já que fica meio difícil identificar a cultura canadense logo de cara, mas acredito que essa diversidade também seja uma marca cultural daqui e muita coisa ainda estou aprendendo.

6. O que você mais gosta na cultura desse país?

🙂 – A gentileza aqui é cultural mesmo. E existe um respeito absurdo pelo espaço do outro

7. O que você menos gosta na cultura deles?

🙂 – São “relax” demais. Isso é ótimo no começo, mas pode irritar as vezes.

8. Um ponto turístico que você indica.

🙂 – Os parques de British Columbia são maravilhosos. O mais famoso deles é o Stanley Park, que fica bem no centro de Vancouver mesmo.

9. Passou alguma dificuldade no início?

🙂 – No início eu estranhei um pouco o sistema de transporte público daqui, mas não chegou a ser uma dificuldade.

10. Conte uma conquista adquirida ou um momento feliz que você passou aí.

🙂 – Chegar aqui por si só já foi uma conquista.

11. Uma loja BBB (Boa, Bonita e Barata) para indicar.

🙂 – Definitivamente indico a Winners. Lá você encontra peças de todas as marcas que possa imaginar com preços de ponta de estoque. O único “problema” é que eles só possuem na loja as peças que ficam expostas, então se você achar algo que goste e sirva, o melhor é levar logo, porque se deixar para comprar no dia seguinte muito provavelmente alguém já terá levado. Mas pelos preços, vale muito a pena.

12. Indique de 1 a 3 produtos BBB para comprar aí.

🙂 – Não estou conseguindo pensar em três produtos específicos, mas comparando com os preços que temos no Brasil, acho que o que mais vale a pena comprar aqui são: roupas, maquiagem e produtos de beleza.

13. Um restaurante BBG  (bom, bonito e gostoso) para indicar.

🙂 – Nunca consigo escolher um só, porque minhas preferências sempre acompanham o meu humor. Então vou listar os que eu mais gosto e o porquê:

Dennys’s – A única coisa que peço quando vou lá é o café da manhã (mesmo que esteja de noite). Típico breakfast norte americano. Acho delicioso.

Sushi California – Foi a melhor comida japonesa que comi aqui até agora. O único problema (para mim) é que eles não oferecem rodízio.

Anton’s Pasta – Melhor massa. ❤

Tomokazu – Restaurante de comida japonesa com opção de rodízio (all you can eat). Marido e eu amamos comida japonesa, e já tentamos outras indicações de rodízio antes de acharmos esse. Foi de longe o que mais gostamos.

14. Uma comida para experimentar.

🙂 – O prato mais tradicional do Canadá é a poutine, uma porção de batata frita com molho e queijo. Nunca experimentei, porque sempre que olho para a cara dela não me apetece (tenho a impressão de que é mega gordurosa). Então, vou indicar os Donuts e cheesecake, porque definitivamente os daqui são os melhores que já comi na vida.

15. O que um brasileiro não deve fazer aí que seria perigoso e/ou constrangedor.

🙂 – Perigoso eu realmente não sei, mas tem uma lista de coisas que costumamos fazer no Brasil que seriam “constrangedoras” aqui: falar alto, fazer perguntas pessoais, não dar gorjetas, entrar na casa dos outros com sapatos, cumprimentar as pessoas com beijo, etc.

16. Uma moda estranha.

🙂 – Eu não sei se isso é moda, mas acho muito estranho o fato de muita gente aqui ir no supermercado vestindo pijamas (sério!).

17. O que te faz falta no Brasil?

🙂 – Minha família e as interações sociais mais calorosas.

18. Indique algo que valha a pena comprar aí.

🙂 – Produtos de beleza.

19. Mande um beijo para quem você tem saudades.

🙂 – Minha família. Sempre. Aqui seria o lugar perfeito se eles estivessem aqui.

Taí… Mais uma tag respondida. 🙂

E se alguém de Vancouver ou redondezas estiver me lendo, pode compartilhar aí nos comentários outras indicações.

Grande Bjo,

Mari Marques.

 

 

 

Victoria Day – O feriado da Rainha inglesa no Canadá.

Victoria Day

Olá!

Feriado é sempre tão bom que resolvi até fazer um post só sobre o de hoje que temos aqui no Canadá. Acontece que, toda segunda feira que antecede o dia 25 de maio, nestas terras geladas, que muito têm me acolhido, é celebrado o Victoria Day, em homenagem ao aniversário da Rainha Victória.

Sim…. uma rainha do Reino Unido tem feriado em sua homenagem por aqui, apesar de o Canadá não ser mais uma colônia britânica há mais de 100 anos.

Longe de mim reclamar de um feriado, mas acho interessante essa influência inglesa que existe no Canadá. Talvez eu estranhe porque no Brasil, nosso rompimento com a coroa portuguesa foi de certa forma traumático, então não faria sentido termos um dia para celebrarmos a família real que tanto nos explorou.

Mas por aqui a coisa é bem diferente… percebo até uma certa devoção aos monarcas britânicos. E pela minha breve e superficial pesquisa, parece que isso é meio comum em outras colônias inglesas também.

Acontece que o Canadá não chegou a romper totalmente com a coroa, tendo de suportar o controle britânico sobre seu Ministério das Relações Exteriores durante mais de 64 anos após sua independência, que se deu em 1867. E mesmo depois disso, ainda faz parte do Commonwealth of Nations (Comunidades das Nações), sendo a atual Rainha britânica a cabeça do Estado. E a Rainha Victoria, cujo aniversário se comemora hoje por aqui, é considerada para o canadenses como a “mãe da Confederação”, daí sua importância para o “The Great White North”, jeito carinhoso de se referir ao Canadá.

A disposição política canadense ainda me deixa bem confusa, então não saberia explicar nem se tentasse, até porque também não entendendo bem. O simples fato de se reportarem à coroa britânica, sendo ao mesmo tempo considerados um país livre, dá um nó na minha cabeça. Mas vale a curiosidade, que considero interessante a título de cultura geral. 🙂

Ah… vale mencionar que o Victoria Day, o qual tem sido celebrado mesmo antes de o Canadá se tornar um país, também representa, informalmente, o início do verão. E não é que já está parecendo verão mesmo?!

Hoje em dia, as celebrações canadenses desse feriado contam com o hasteamento da Royal Union Flag em todos os prédios governamentais, aeroportos, bases militares e outras propriedades da Coroa por todo o país. Além disso, nas capitais de cada província faz-se uma saudação armada com 21 tiros. Em Ottawa, que é a capital nacional, isso se dá precisamente ao meio-dia.

Além disso, aqui na província de British Columbia é realizado um dos mais conhecidos desfiles, que acontece justamente na cidade de Victoria.

Abaixo compartilho algumas imagens da celebração deste dia ao redor do Canadá:

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Tá vendo?! Este blog também é cultura! rsrs

Vou me despedindo, pois aqui ainda é início da tarde e pretendo curtir o restante deste feriado que realmente trouxe o sol… 🙂

Grande Bjo,

Mari Marques.

 

*Imagens: Google.

*Fonte: Descubra o Canadá; Wikipedia; Oi Canadá; e outras que esqueci de anotar.

[Tag] Morando Fora – British Columbia, Canadá

Morando Fora

Morando no Canadá há pouco mais de meio ano, hoje resolvi responder a Tag Morando Fora, para tentar compartilhar um pouco das minhas percepções por aqui até então.

Espero que seja útil para quem tem interesse em conhecer um pouquinho mais sobre esse país, e também para quem pensa em vir morar aqui um dia.

Vamos às perguntas:

1. Seu nome.

🙂 – Mariana

2. Em que país e cidade você mora?

🙂 – Moro no Canadá, na província de British Columbia. Mais especificamente Coquitlam, que fica na região de Metro Vancouver.

3. Mora sozinho ou com sua família?

🙂 – Moro com meu marido, e somos uma família.

4. Há quanto tempo reside aí?

🙂 – Completamos 9 meses morando aqui na ultima semana.

5. Já morou em algum outro país? Qual?

🙂 – Nunca. Canadá é o primeiro país, além do Brasil, que eu já morei.

6. Qual sua idade?

🙂 – 32 anos

7. Como surgiu a ideia de morar no exterior?

🙂 – Na verdade, eu sempre sonhei em ter uma experiência internacional como essa, e coincidiu de meu marido também carregar esse sonho. Mesmo antes de nos casarmos, ele já falava que tinha vontade de fazer um curso no exterior, para agregar ao currículo dele. Quando nos casamos, esse sonho foi crescendo dentro de nós, e colocamos diante de Deus, para que no momento certo as coisas fluíssem de acordo com a vontade dEle, já que acreditamos ser essa a melhor forma de orientarmos nossas decisões. Então, quando surgiu a oportunidade, não pensamos duas vezes.

8. Foi difícil conseguir o visto de residência?

🙂 – Nosso visto de residência é temporário. Não foi difícil conseguir, por termos apresentado um objetivo definido, que é o curso do meu marido, de modo que nosso visto está atrelado a isso. Ainda não sei dizer como funciona para visto de residência permanente.

9. Qual pior situação que você já passou aí?

🙂 – Graças a Deus ainda não tivemos uma situação difícil a ponto de considerarmos ser a pior, apesar de sabermos que não estamos imunes a isso, já que a vida de imigrante tem mesmo seus percalços.

Para mim, particularmente, a maior dificuldade assim que chegamos foi o idioma. Continua sendo meio estressante viver em outra língua sem ter fluência, mas agora eu consigo entender bem mais o que as pessoas estão falando e consigo me fazer entender também. O início foi bem desesperador nesse sentido, apesar de eu ter vindo com uma certa noção do inglês.

Pensando bem, uma situação que não podemos considerar difícil, mas demoramos a nos adaptar foi com relação ao transporte. Porque aqui os ônibus passam em horário bem definido, sendo muito raro haver atrasos. Como bons cariocas , já perdemos a conta das vezes que tivemos de literalmente correr atrás do ônibus, chegando a perder algumas vezes, o que sempre é um baita contratempo.

10. Fale de um ponto turístico que você gosta. Fale um pouco sobre ele.

🙂 – Eu demorei um pouco para me adaptar ao clima, então não me animei muito para sair de casa nesses meses de inverno. Só agora, com o verão chegando, é que vamos aproveitar mais os passeios. Por esse motivo, não tenho ainda um ponto turístico específico para indicar como o meu favorito, mas pelo que já vi até agora, acho que a maior atração de British Columbia são os parques. Não importa o tamanho, todos os que já pude visitar até agora são incríveis.

11. Você fala a língua local? Acha que é importante aprender?

🙂 – Não posso dizer que sou fluente, mas sim, consigo me comunicar na língua local. Não apenas importante, é fundamental aprender o idioma do país onde se quer morar. Já é difícil sem ter fluência na língua, imagino que seria impossível viver aqui sem entender nada.

12. O que você pensa do país que você mora? Eles recebem bem os brasileiros aí?

🙂 – O Canadá é um país multicultural. Aqui temos a oportunidade de ter contato com muitas culturas diferentes ao mesmo tempo. Creio que por esse motivo eles são bem receptivos no geral, não apenas com os brasileiros. Mas, por outro lado, também não concordo quando dizem que aqui não existe preconceito com relação aos imigrantes, porque por mais receptivos que sejam, existem sim aquelas pessoas que não estão muito felizes com a atual política de imigração adotada no país.

13. Sente muita falta da família?

🙂 – Definitivamente, a pior parte de se morar fora é a falta que sentimos da família. Tem dias que são muito difíceis mesmo com relação a isso, principalmente as datas especiais e aniversários, mas até dias normais podem ser difíceis por não podermos compartilhar diretamente nosso dia a dia.

Confesso que se pensasse muito nisso, acho que pegaria o próximo avião de volta. Não consigo nem descrever como é o sentimento de se estar longe das pessoas que eu amo.

Talvez se eu estivesse aqui sozinha não daria conta de ficar, mas como estou com meu marido, nós nos apoiamos mutuamente quando a saudade aperta.

14. De quais produtos brasileiros mais sente falta?

🙂 – Sinto muita falta da massa de tapioca pronta. Aqui eu até encontrei a farinha de tapioca, mas me dá preguiça de hidratar, então acabei tirando esse item da minha alimentação, sendo que eu comia todo dia no Brasil.

Na verdade, acho que é só isso mesmo. Não consigo me lembrar de outra coisa da qual realmente sinta falta assim. As vezes até bate saudade de algumas comidinhas que não têm aqui, como o chips Fandangos, por exemplo, mas a verdade é que a gente acaba se adaptando ao que tem… e tem muita coisa… rs

15. Quais os seus planos para o futuro? Pretende morar aí para sempre?

🙂 – Para sempre é muita coisa quando apenas se está no início de uma jornada, como é o nosso caso. Temos gostado muito de viver aqui nesses últimos meses, mas preferimos dar um passo de cada vez, até porque, nosso visto tem prazo de validade e, querendo ou não, o Brasil sempre será a nossa casa.

16. O que tem no país que você mora que você usa no dia a dia e acha que devia ser implantado no Brasil?

🙂 – A primeira coisa que me vem na mente é água quente na torneira da cozinha. rsrs Mas como foram poucas as vezes em que achei isso necessário no Brasil, prefiro dar outra opção.

Aqui em British Columbia, nós usamos um aplicativo no celular que é diretamente ligado à rede de transporte público, a TransLink. Então, nós sabemos o horário que o ônibus vai passar em cada ponto, se ele vai atrasar, e também o tempo exato que vai levar para chegarmos onde queremos de acordo com o schedule do transporte, considerando inclusive os possíveis engarrafamentos. Acho isso uma mão-na-roda, e seria bem legal ter algo assim no Brasil.

17. Qual sugestão ou dica você daria para quem gostaria de viver nesse país?

🙂 – Primeiro de tudo: ESTUDE INGLÊS! Sério! Existe muita propaganda sobre o Canadá ser um país de portas abertas para estrangeiros, mas a verdade é que você não vai conseguir ficar por aqui se não souber a língua local. E acho justo!

Outra coisa que penso ser importante quando se fala em mudar para outro país, e não apenas o Canadá, é manter a mente aberta. Esteja disposto a aprender sobre outros estilos de vida e, acima de tudo, abra mão de qualquer preconceito que você tiver. Só assim a experiência será verdadeiramente enriquecedora.

18. Se você pudesse descrever em uma palavra a experiência que está vivendo nesse país, qual seria?

🙂 – Crescimento.

19. Mostre algumas fotos da cidade que mora.

🙂 – Queria mostrar fotos minhas aqui, mas ainda estou começando na fotografia, e não acho que minhas fotos já estejam boas para divulgar. Então selecionei algumas fotos turísticas que encontrei na internet, para vocês verem como é linda British Columbia.

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É isso! Espero que tenham gostado! Vou tentar responder uma TAG nova todo mês. Se tiverem sugestões, podem enviar para mim! 😉

Grande Bjo,

Mari Marques.

*Imagens: Google.

O que tenho aprendido com os canadenses?

Oh, Canada!

Morar em outro país tem sido a experiência mais desafiadora da minha vida. Não apenas pelo aspecto cultural, que é tão enriquecedor, mas também pela revisão forçada de alguns conceitos antigos que eu carregava comigo.

O Canadá é um país realmente multicultural. Aqui você pode encontrar gente de tudo quanto é canto do mundo, com sotaques e costumes dos mais variados, incorporando seus hábitos a um estilo de vida canadense bem customizado. Digo isso porque a própria cultura local algumas vezes fica um pouco apagada diante de tanta diversidade, mas apesar de não ser unanimidade, isso não parece incomodar a maioria.

No começo estranhei um pouco essa característica, e até já me peguei julgando como sendo uma possível “falta de identidade”, o que não poderia ser mais equivocado da minha parte, já que nada identifica mais um canadense do que os conceitos de tolerância e aceitação que eles conseguem elevar a outro nível.

Reflexo disso, é a liberdade que eu percebo aqui para se “ser o que se quer ser”. E isso é literalmente mesmo, de modo que além de o respeito às minorias ser regra indiscutível, você pode ter certeza de que ninguém vai te olhar diferente no dia em que  resolver ir ao supermercado de pijamas ou pintar os cabelos de roxo com laranja.

É claro que nos meus nove meses vivendo nessas terras geladas, também já pude notar aspectos não tão legais do povo que por aqui habita, mas neste post resolvi me concentrar no que admiro e tem me ensinado a rever algumas posturas. E se tem uma coisa que eu realmente gosto nos canadenses, com certeza é a gentileza e a forma pacífica, quase despretensiosa, com que eles levam a vida.

Dificilmente você vai ver um canadense sendo grosseiro sem que haja um baita motivo por traz disso, e, se por algum azar, você pegar um deles em um mal dia, pode ter certeza de que ele se sentirá pior do que você por ter te tratado mal. Isso chega a ser engraçado e é claro que tem muitas vertentes, desde a hipocrisia enrustida até a necessidade cultural de ser agradável, quase que por obrigação. Isso gera uma série de piadinhas mundo a fora, como os famosos “memes” sobre o “canadian sorry”, por essa mania de sempre se desculparem, mesmo quando eles não são os culpados.

2012-04-30-canadianproblems

I-m-canadian-and-i-m-sorry-that-i-m-always-sorry-e

Agora, de tudo o que já pude notar, se existe algo que me impressiona é a igualdade que existe por aqui. Posso estar muito errada, até porque não sou e nem quero ser do tipo que frequenta a “high society”, mas tenho a nítida impressão de que para os canadenses não importa muito “o que você faz” ou “quem você é”, de modo que tanto o operário da construção como o médico cirurgião terão o mesmo nível de tratamento onde forem.

Para quem veio de um país como o nosso, onde infelizmente o que você faz para viver é capaz de te definir socialmente, esse tipo de liberdade é encantadora. As escolhas individuais são de fato tão respeitadas, a ponto de não ser questionado se você tem ou não um nível universitário para determinados cargos, pois se você tiver a experiência e capacidade necessárias, tudo ok.

Isso pode ser considerado um choque cultural, já que crescemos com a ideia de que se determinada pessoa não tiver um diploma na parede, nada do que ela falar pode ser considerado seriamente, mesmo que haja mais conhecimento ali do que em muito diplomado.

Talvez eu até esteja romantizando um pouco as coisas, afinal, apesar das oscilações, ainda não passei da fase do encantamento… Mas, de qualquer forma, a sensação de poder se reinventar sem culpa é maravilhosa… E é aqui que tenho aprendido e me permitido esse recomeço.

Thanks, Canada!

Grande Bjo,

Mari Marques.
*Imagens: Google.