Os Quatro Amores – C.S. Lewis

Os Quatro Amores - Lewis

Preciso escrever sobre esse livro antes que passe em mim o entusiasmo causado pelo fim da leitura. Mas longe de fazer uma resenha, o que quero é compartilhar as impressões e aprendizados que essas páginas me trouxeram.

Ganhei o livro “Os Quatro Amores”, de C.S.Lewis, já faz bastante tempo, mas era uma leitura que eu sempre adiava ou então até começava mas não dava fim, mesmo apreciando muito o que estava lendo. Creio que tal comportamento se deve ao poder transformador dessa obra (como qualquer outra de Lewis, creio eu).

Antes de continuar, devo dizer que C.S. Lewis é um dos meus autores favoritos, e me identifico muito com a forma como ele aborda os temas a que se propõe. Conhecido como “o racionalista romântico”, Lewis consegue transitar entre o pensamento lógico e a fé com muita naturalidade e leveza, de modo que para mim os seus textos são de uma sensibilidade incrível, carregados de humanidade e sabedoria.

Creio que é em razão de toda sua trajetória de vida que Lewis consegue abordar temas como fé, cristianismo, ética e outros do gênero sem parecer religioso ou moralista…. Muito pelo contrário, seus textos apresentam uma liberdade de pensamento que só evidencia a genialidade do seu raciocínio. Acontece que Lewis foi um ateu convicto durante grande parte de sua vida, mas se rendeu ao Cristianismo, já aos 31 anos de idade, por um processo muito mais intelectual do que o de uma conversão movida por elementos emotivos. Isso refletiu nele como uma mudança radical de certos comportamentos, impactando profundamente sua forma de levar e enxergar a vida… Assim sendo, as características peculiares que o fizeram descobrir sua fé se refletem em seus textos de forma a cativar o leitor, seja ele cristão ou não, muito em razão da sinceridade com que apresenta os temas propostos.

Em “Os Quatro Amores”, Lewis traça um paralelo entre aqueles que ele chama de “amores naturais” (Eros, Amizade e Afeição) e o “amor divino” (Caridade), que deve ser o objetivo de todos os demais amores, para que sejam saudáveis e perfeitos. E através de suas observações, no decorrer de cada capitulo, nos provoca a refletir sobre nossa própria forma de amar e ver o amor.

Realmente transformador! Lewis lança, logo em sua introdução, a máxima de que “o amor passa a ser um demônio no instante em que passa a ser um deus”. E destrinchando esse pensamento ao longo das páginas, a experiência poderá ser reveladora e instigante, desde que o leitor mantenha a mente e o coração bem abertos para o que vai receber. Confesso que também poderá ser doloroso em alguns momentos, mas sem dúvida alguma, extremamente edificante.

Sou dessas leitoras que risca as páginas sublinhando os trechos mais tocantes e, por vezes, escrevendo nos rodapés alguns pensamentos, seja para registrar ou para voltar neles depois. Há quem discorde, mas para mim leitura boa é aquela que mais te faz riscar as páginas. E essa obra definitivamente foi assim. Detesto emprestar livros, mas se o fizer (o que duvido muito), o próximo que ler meu exemplar pode não gostar ao ter de lidar com tantos sublinhados.

Dito isso, compartilho aqui um dos trechos que julguei tiveram de ser grifados. Melhor que Lewis fale por si mesmo, já que esta é definitivamente uma obra de imersão:

“… a pergunta “você me ama? significa “você vê a mesma verdade que eu?” – ou, pelo menos, “você se interessa pela mesma verdade que eu?”. Aquele que concordar com nossa opinião de que uma certa pergunta, quase ignorada pelos outros, é de grande importância poderá ser nosso amigo. Ele não precisará concordar quanto à resposta.

(…) É por isso que aquelas pessoas patéticas que simplesmente querem “fazer amigos” nunca conseguem. A própria condição para ter amigos é querer alguma coisa além de amigos.

(…) Quem não tem nada não pode partilhar nada; quem não está indo para lugar nenhum não pode ter companheiros de viagem.”

E aos companheiros de viagem…

Grande Bjo.

Mari Marques.

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Retornando aos meus parágrafos

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Faz um tempinho que venho adiando passar por aqui, mas após um hiato de aproximados 2 meses, que eu jurava ser bem menor, achei que já era a hora de voltar.

Escrever é a forma que eu encontrei para extravasar minha criatividade, lidar com algumas questões e refletir sobre temas que considero interessantes (para mim). Como nunca fui muito de falar, por me sentir um pouco desconfortável comunicando verbalmente, a escrita sempre foi o meio pelo qual eu consigo deixar meus pensamentos mais claros para mim mesma e até descobrir meus próprios pontos de vista, pois parece que quando coloco minhas ideias no papel por vezes elas tomam formas que eu nem imaginava. Então já estava sentindo muita falta deste espaço.

Queria poder apresentar um motivo interessante para minha ausência nos últimos meses, mas a verdade é que não teve nada não. Até tentei justificar como um “bloqueio criativo” quando alguém me perguntava, porém quem me conhece um pouquinho via de longe que era só desânimo mesmo.

Confesso que eu realmente comecei a escrever dois ou três textos nesse período, só que eles não fluíram… Daí minha “desculpa esfarrapada” de que estava em “crise criativa”, como se eu fosse autora de novela para ter dessas coisas… rs

Acontece que eu não sei explicar exatamente o porquê de as vezes me distanciar do que me faz bem. Não apenas na escrita. Percebi que nos últimos meses coloquei várias coisas que julgo importantes de lado. Talvez tenha sido um break necessário para tomar fôlego, ou essa pode ser apenas outra “desculpa” que me soa plausível, mas decidi que quero colocar isso no papel (ou na tela do PC) para entender melhor.

Não sei se esse texto está fazendo sentido a esta altura, mas a mensagem que eu quero dar é que todos nós temos nossos próprios “monstros internos” que podem passar despercebidos ou nos colocar para baixo em algum momento (mesmo sem reconhecê-los de cara), e não temos como fugir deles. Ao contrário…. Se tem algo que aprendi “com a vida” (e olha que eu nem sou tão “velha”) é que aquilo que não resolvemos dentro de nós, vai sempre voltar para nos assombrar, seja um medo, uma insegurança, um pensamento malicioso, ou o que mais for. E acho que não tem como prever quando e em que proporção esses “monstrinhos” vão resolver aparecer. Taí a razão de ser melhor enfrentar.

E nessa “luta” que travamos contra nós mesmos o risco é apenas o de encontrarmos a nossa melhor versão. Seguirei escrevendo, porque essa é a “arma” que eu tenho (e gosto). Sugiro que também encontre a sua. 😉

Grande Bjo,

Mari Marques.

Não se limite!

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Quantas vezes nós mesmos não atrasamos nosso progresso? Quantas vezes nós mesmos não criamos os obstáculos para determinada realização? Quantas vezes já permitimos que o medo ou insegurança, em forma de desculpas, frustrassem algum plano antes mesmo de tirá-lo do papel?

E quando trago esses questionamentos, não estou me referindo necessariamente a “coisas grandes”, a “momentos emblemáticos” em nossa vida. Até porque, é muito mais fácil percebermos estar dando vazão ao medo e a insegurança em uma situação importante, o que até nos dá a chance de enfrentar isso mais de frente. Difícil mesmo é percebermos o auto-boicote nas sutilezas do dia a dia, naquelas pequenas decisões das quais vamos nos esquivando meio que “sem-querer”, e quando nos damos conta a coisa toda já virou um estigma, difícil de quebrar.

Acontece que tudo aquilo que a gente não enfrenta quando aparece, acaba ficando muito maior com o passar do tempo. É mais ou menos aquela velha história de que quando se cai do cavalo, o melhor é voltar logo a montá-lo, se não vira um trauma. Da mesma forma, quanto mais alimentamos nossos sentimentos limitantes através de desculpas (mesmo que elas pareçam muito razoáveis naquele momento), mais difícil será superar nossos próprios obstáculos lá na frente. Obstáculos esses que, na maioria das vezes, só existem em nosso subconsciente.

O que considero ainda pior nessa dinâmica de autolimitar-se, é que com o passar do tempo acumulando desculpas, passamos a de fato acreditar nelas, e se não tomarmos cuidado, podem se tornar crenças tão poderosas em nossas vidas que haja terapia para desmistificar isso.

Sendo assim, proponho aqui um exercício para praticarmos no decorrer da semana: Sabe aquilo que você vem adiando há algum tempo, por pensar que ainda não é capaz o suficiente, que ainda falta alguma coisa, ou qualquer outra desculpa que você venha usando? Seja lá o que for… pode ser algo pequenininho, mas que te assusta… ou o primeiro passo para um grande desafio… Pegue isso nas mãos (o sentido é figurado), e faça. Não importa como, nem precisa ser perfeito e concluir tudo em um dia só. Apenas mostre a si mesmo(a) que você pode. 😉

Quanto mais de frente enfrentarmos nossos monstros, menores eles vão ficar! 🙂

Grande Bjo,

Mari Marques.

 

“E estou plenamente convicto de que aquele que iniciou boa obra em vós, há de concluí-la até o Dia de Cristo Jesus.” [Filipenses 1.6]

Não existem atalhos

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Muitas vezes, para alcançarmos o que tanto almejamos, temos de percorrer trajetos que não nos parecem muito confortáveis, e podemos ficar tentados a “encurtar” a viagem de alguma forma, considerando como não necessário enfrentar determinadas etapas.

Acontece que é justamente o caminho que nos prepara para desfrutarmos cada chegada. E alguns “atalhos” podem servir apenas para nos levar a dar uma volta ainda maior, fazendo com que os objetivos só demorem mais para serem alcançados.

Vivemos em um tempo onde tudo parece ter de ser realizado “para ontem”. São propagandas e propagandas do tipo: “Fique fluente no inglês em 6 meses”; “Ganhe 10 mil reais em apenas um mês”; “Emagreça 10 quilos em 15 dias”… e por aí vai. O estimulo para alcançarmos resultados rápidos é tão grande, que as vezes até chegamos a acreditar ser possível. Porém, não se engane. Pode ser clichê o conselho, mas a verdade é que nada do que parece muito fácil tem a capacidade de durar, e muito menos de ser efetivo.

Como exemplo, vocês não fazem ideia, a menos que também esteja passando por essa experiência, de como é estressante aprender um trabalho novo em um idioma que não se domina. No entanto, essa imersão é uma etapa fundamental na vida de qualquer imigrante (seja ele temporário ou permanente), sem a qual é impossível crescer na fluência e culturalmente.

E assim é tudo na vida. Muitas vezes, temos de passar por etapas desconfortáveis ou fazer algo que não gostamos tanto, seja trabalho ou estudo, para chegarmos onde queremos estar. Se pularmos isso, vamos perder todo o aprendizado que nos fará bem-sucedidos lá na frente, e em alguns casos, teremos até de voltar todo o percurso para enfim chegarmos onde queremos.

Então, o melhor que temos a fazer é aproveitar bem o caminho, seja ele bom ou ruim,  afinal é de onde tiraremos os ensinamentos para resolvermos os problemas futuros.

Não sei qual o desafio que você, leitor(a), pode estar enfrentando hoje, mas deixo essa reflexão. Não tente pular etapas, muito menos encontrar atalhos, as dificuldades vividas no hoje serão fundamentais para construirmos um bom amanhã. Valorize e curta isso. 😉

Grande Bjo,

Mari Marques