Você não é o seu Trabalho!

Trabalhe duro, mas não seja apenas isso

Quando falei sobre “O que tenho aprendido com os canadenses”, na semana passada, lembro que mencionei sobre a mentalidade que percebo na maioria das pessoas aqui de se “trabalhar para viver” e não ao contrário.

Fiquei refletindo um pouco sobre isso, e não consigo deixar de comparar com a bagagem cultural que trago nesse sentido, já que a questão profissional tem sido um dilema na minha vida já faz um tempo.

Algumas vezes é difícil desassociarmos uma pessoa daquilo que ela faz enquanto trabalho ou estudo, como se a profissão escolhida, seja ela exercida ou em fase de desenvolvimento, se tornasse quase um traço da personalidade. E apesar de entender que isso é um reflexo natural, já que de fato investimos grande parte do nosso tempo no exercício de um ofício, essa não é uma ideia que me agrada.

Entenda bem… eu concordo que é perfeitamente saudável, e aconselhável, escolher uma profissão que reflita parte de quem nós somos, seja por talentos que possuímos ou ideologias que carregamos. O que me causa desconforto é a ideia de a carreira tornar-se um fim em si mesma, ocupando todo o centro das nossas vidas, ao invés de ser apenas uma ferramenta para que exerçamos os nossos dons e possamos nos desenvolver.

Não é raro ouvirmos histórias de pessoas que ao perderem um emprego passaram a sofrer até com crises de identidade, tendo de reavaliar toda a vida até então. Menos raro ainda é encontrarmos aqueles que negligenciam família, relacionamentos e até a própria saúde, em prol de uma “carreira de sucesso”.

Querido leitor ou leitora… nesse ponto devo lembrar que não existe sucesso que pague o preço de um interior devastado. Qualquer bem material pode ruir em poucos instantes, sem sequer nos darmos conta. E até mesmo o maior dos prestígios profissionais pode ser esquecido, por um simples erro de percurso… sendo certo que ninguém está livre de cometer erros. Por essas e outras, é que não devemos colocar toda nossa esperança e felicidade em algo tão fulgaz.

Antes disso, que possamos ter o discernimento necessário para priorizarmos o que realmente traz valor a nossa vida. De modo que, apesar de em algumas fases ser necessário dedicarmos mais tempo à profissão, que tenhamos equilíbrio suficiente para não permitirmos que isso tome conta de nós, a ponto de o que deveria ser apenas um período tornar-se um estilo de vida.

Outro aspecto que me faz refletir bastante sobre esse tema, é quando penso em o quanto nós mudamos ao longo dos anos… e por mais que eu acredite ser necessário sermos fiéis às nossas escolhas, não tenho certeza sobre o como isso funciona no âmbito profissional, já que podemos simplesmente não nos encaixarmos mais em certos projetos, seja por desilusão (como foi o meu caso) ou pelo sentimento de já termos cumprido o nosso propósito, passando a desejar novos rumos.

Uma coisa surpreendente da vida de imigrante, é conhecer pessoas que literalmente `jogaram para o alto´ ótimas carreiras, a fim de mudar as próprias perspectivas e até de levar uma vida mais simples ou `de boa´. E quando essa decisão é consciente, mesmo havendo o possível julgamento da família e amigos para encarar, a leveza que pode trazer é contagiante.

 Assim, desejo que o seu trabalho possa te realizar sim, mas que você nunca esqueça que a principal função de qualquer ofício é possibilitar uma vida mais plena e não tornar-se o centro da sua vida.

Grande Bjo,

Mari Marques.

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