Expectativas que travam

Viver é melhor que Sonhar

Se no último post falei sobre frustração, hoje quero refletir sobre aquela que pode ser considerada a maior causa desse sentimento: a expectativa.

Quantas vezes já não nos pegamos planejando e idealizando tanto uma situação futura, ou mesmo a reação de uma pessoa, que quando se torna realidade temos a impressão de que não foi bom o suficiente?!

E aí pergunto… Será que não foi mesmo tão bom assim, ou nós é que boicotamos nossa própria felicidade e realização?

Já ouvi relatos de pessoas que não aproveitaram o suficiente uma viagem internacional por não ter dinheiro bastante na reserva para ir aos lugares que considerava ideais ou se dar ao luxo de algumas compras. E lembro de ter pensado: “Meu Deus! Eu ficaria muito feliz pelo simples fato de estar lá, sentar em um café qualquer, andar pelas ruas e absorver um pouco da atmosfera de uma nova cultura”. Mas o concentrar-se nas expectativas frustradas não permitiram que a pessoa enxergasse isso.

Longe de mim ser aqui hipócrita, tentando demonstrar uma falsa humildade, pois é claro que se eu ganhasse uma viagem “5 estrelas” ao redor do mundo ficaria extremamente feliz. Afinal, quem não ficaria?! A questão não é essa, mas sim sobre qual a reação que nos permitimos ter diante do que se apresenta como realidade quando isso não se encaixa no que apenas idealizamos.

Planejar e sonhar é fundamental para estabelecermos metas e sabermos até onde queremos chegar, mas não pode ser um fim em si mesmo. Se por um lado as expectativas que criamos durante esse processo servem como um gás motivacional rumo ao objetivo traçado, não podemos permitir que elas tomem conta de nós ao ponto de nos tornar cegos.

Antes de dar-se por insatisfeita com a situação alcançada, pergunte-se qual de fato é o “sonho da sua vida” em cada situação: Fazer uma viajem para aquele país que te desperta tanta curiosidade ou ficar em um hotel caro que poderia ser em qualquer outro lugar? Se casar com o homem da sua vida ou dar uma “festa digna de revista” para 500 convidados que você mal conhece? Morar em uma big casa na área nobre da sua cidade ou ter um cantinho com a sua cara para chamar de seu?

Por curiosidade, me lembrei agora que no direito existe o chamado Princípio da Ponderação de Valores, que, explicando de forma bem superficial, é o que se aplica quando existem dois direitos fundamentais em conflito, fazendo com que prevaleça aquele que é mais relevante no caso a ser julgado. Assim, não existe um direito mais importante do que o outro, mas sim aquele que deve prevalecer em razão das circunstâncias apresentadas, para que haja uma decisão justa.

Parece até que dei uma “viajada no texto” com esse parágrafo acima, mas volto ao tema para mostrar que foi um parêntese pertinente. Porque, na verdade, se trouxermos esse princípio jurídico para nossas vidas vamos começar a perceber que muitas vezes perdemos momentos de felicidade por deixarmos prevalecer expectativas que, apesar de justas, não são o que existe de mais relevante para nós naquele momento.

Isso me faz lembrar muito da época em que me casei, porque antes de “subir ao altar” fazia muito tempo que sonhava casar na praia e passar a lua de mel em Aruba. Sonho do qual meu hoje marido também compartilhava, o que aumentava minhas expectativas, já que desejávamos a mesma coisa. E até chegamos a tentar colocar isso em prática, mas iria sair muito do nosso orçamento, e lembro de ambos termos ficado um pouco “jururus” quando nos demos conta de que seria difícil ficar igual aos nossos sonhos. Mas jamais esqueci do que ele me disse após alguns minutos de silêncio: “O importante é que nós vamos casar! Para o resto daremos um jeito!”

E a verdade é que até hoje tem sido assim: juntos, dando um jeito para todo o resto. Foi ali que comecei a me desvencilhar das minhas expectativas. E, no final das contas, se fosse casar de novo (com ele, é claro), faria tudo exatamente do mesmo jeito que fizemos, porque foi muito mais especial do que eu era capaz de imaginar.

As expectativas são geradas pelos sonhos, que nos fazem sair do lugar de uma forma muito positiva, mas jamais podemos permitir que elas nos dominem a ponto de não vermos o futuro que se apresenta. Acredite, esse futuro vai acontecer você estando preparada ou não. Será muito triste olhar para trás e perceber a história linda que não viveu por prender-se à uma “realidade” que você apenas idealizou.

Como disse C.S. Lewis: “Existem coisas melhores adiante do que qualquer outra que deixamos para trás”, e eu acrescento: melhores inclusive do que aquilo que sonhamos.

Então, permita-se viver além das expectativas que te travam.

Bjs,

Mari Marques.

 

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