O que fazer com as frustrações?

Lidando com o que frustra

Após alguns meses vivendo aqui no Canadá e tentando me adaptar ao novo idioma, finalmente dei início à busca por um emprego nesta terra estrangeira. Tenho participado de algumas seleções e logo na primeira delas, umas perguntinhas me chamaram a atenção: Você desiste de algo quando se sente frustrado? e O que você faz quando uma situação não sai como o planejado?

Não lembro se foram exatamente com essas palavras, mas a ideia embutida nas perguntas era essa sim, e me vi pensando nisso por um bom tempo depois que terminei de responder ao questionário.

Nunca trabalhei com Recursos Humanos ou algo do gênero, então não sei o porquê de se perguntar sobre isso, mas fiquei imaginando que talvez o empregador em questão já houvesse tido problemas com pessoas que não sabiam lidar com as frustrações no trabalho. E, de fato, não é raro encontrar pessoas que reajam muito mal aos contratempos e intempéries que surgem no caminho de um projeto.

Particularmente, não vejo dificuldades em lidar com isso profissionalmente, por ser um âmbito onde os objetivos finais costumam ser bem definidos, o que facilita possíveis “redefinições de rota” caso haja algum contratempo. Já quando trazemos isso para o lado dos objetivos pessoais ou mesmo para dentro de um relacionamento, a história já não é tão simples. :/

Talvez a solução seja justo o que falei aí em cima: ter claro o onde se quer chegar para não “empacar” nos possíveis desvios pelo caminho. E embora seja muito lógico na teoria, saber disso não torna mais fácil encarar as frustrações na vida prática, ainda mais quando nos encontramos no “olho do furacão”.

Então o que fazer para lidar com isso quando nossos planos se frustram ou as pessoas que amamos não atendem às nossas expectativas?

A verdade é que consigo enxergar apenas duas opções:

1) se deixar dominar pelo sentimento de frustração e acumular amarguras dentro de si; ou

2) aprender com a situação e, a partir disso, traçar novos objetivos, mais aprimorados pela experiência, ou simplesmente adaptar-se ao que não pode ser mudado, não por conformismo, mas passando a olhar por uma nova ótica, e assim começar a apreciar o que se tem, o que pode ser surpreendente.

Acho que não preciso explicar o porquê de eu preferir a segunda opção, mas existe a possibilidade de você nem perceber que está optando pela primeira escolha, que é tão negativa. Acontece que, muitas vezes todo esse processo de frustrar-se acontece de forma bem sutil, e vamos acumulando sentimentos nocivos por pequenas coisas. Isso acaba minando não apenas a nossa confiança em nós mesmos, mas nosso desempenho na vida, nossos relacionamentos, nossa resistência ao inesperado e principalmente a capacidade de renovar-se.

Temos de ter em mente de que tudo o que traçamos como ideal, encontra-se em um campo inatingível. Não é justo exigirmos de nós mesmos e daqueles que amamos padrões tão altos e inalcançáveis. Antes, devemos em cada etapa de realização, adequarmos nossos planos à realidade que temos. E apesar de nem sempre ela ser tão florida como nos sonhos, com certeza podemos literalmente transformá-la em nossa melhor opção, mudando o que pode ser mudado.

Acredito que para isso sejam necessários exercícios diários, começando pelos atos constantes de gratidão, aprendendo a enxergar a vida e aqueles que nos cercam como realmente são ou podem ser, e nada além disso. A partir daí, as medidas que tomarmos enquanto evolução serão  muito mais eficazes, e evitaremos as frustrações por já estarmos plenos antes mesmo dos resultados.

Como diria Aristóteles, “conhecer a si mesmo é o começo de toda sabedoria”, e penso que devemos encarar isso não apenas no que se refere a quem somos internamente, mas também de forma externa, considerando tudo o que nos rodeia, desde o universo a que fazemos parte como aqueles que o integram. E, assim, abrindo mão das imagens que criamos e dos conceitos que pré-estabelecemos como ideais, ficamos livres para apreciar tudo e todos como realmente são, diminuindo o espaço para possíveis frustrações.

“Aprenda a ser quem você é, e aprenda a aceitar de boa graça tudo o que você não é” (Henri Frederic Amiel). E verá que a vida pode ser muito melhor apreciada, se permitirmos que ela nos surpreenda com suas próprias possibilidades, ao invés de lutarmos para que ela se encaixe no que prematuramente decidimos que deveria ser.

Eu mesma poderia dar exemplos de coisas que me aconteceram e se saíram muito melhores do que se tivessem seguido o “meu script”. Mas só foi assim, porque não permiti que “meus planos” me impedissem de viver o que se apresentava como presente.

Então, da próxima vez que as coisas não saírem como você queria, ou aquela pessoa que é tão importante para você não agir exatamente como você desejava, mude um pouco o seu olhar e permita-se surpreender-se.

Grande Bjo,

Mari Marques.

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