Vivendo com resiliência

resiliencia

Existe uma palavrinha que eu gosto muito, a chamada “resiliência”. Ela parece simples, mas carrega um significado bem profundo (como tudo o que é simples nessa vida).

Em suma, entendo que resiliência é a capacidade que o ser humano tem de se adaptar às dificuldades, aceitando de bom grado o que não pode ser mudado em certo momento. Segundo o dicionário, é a habilidade de se adaptar com facilidade às intempéries, às alterações ou aos infortúnios. Olhando mais para o campo da psicologia, a resiliência seria uma virtude humana em resistir aos momentos difíceis com esperança e equilíbrio emocional.

Muitas vezes nós passamos muito tempo planejando algo, mas no momento em que o plano toma forma, percebemos que nossas expectativas eram muito maiores. Ou mesmo que não fossem tão maiores, as vezes simplesmente parece que tudo era melhor enquanto ainda estava no papel. E é muito difícil não se deixar levar pelo sentimento de frustração, que se não tomarmos cuidado acaba nos puxando para baixo, anulando nossas reações.

Toda mudança passa por uma fase de adaptação, que para alguns vai ser rápida enquanto para outros talvez demore mais e seja até mais difícil. E em uma era de “redes sociais” onde vidas perfeitas e resultados magníficos são vitrinados o tempo inteiro, difícil não se perguntar em algum momento se você está fazendo algo errado ou se não existiriam caminhos melhores para as suas escolhas.

Mas a grande questão é que nada nessa vida vai ser igual para todo mundo. As vezes por uma pequena má escolha você acabe passando por mais dificuldades do que outro percorrendo o mesmo caminho, mas com certeza haverá um aprendizado e um crescimento para você que talvez para esse outro não tenha (e se tiver, também não é problema seu… cada um passa pelo que tem de passar… deixe o outro lá). Então, não devemos encarar isso como motivo de frustração.

Se não formos resilientes diante das pequenas intempéries, jamais teremos a visão do todo que está a ser construído, e perderemos bons momentos pelo caminho, talvez até boas oportunidades por não conseguirmos enxergar.

Resolvi escrever isso porque quando decidimos (meu marido e eu) mudar de país sabíamos que não seria fácil, mas como só as grandes dificuldades entraram nas nossas previsões, as vezes nos pegamos um pouco frustrados com algumas pequenas diferenças. E hoje foi um dia desses.

Confesso que é um sentimento bem ruim de se ter estando longe de casa, você tem a sensação de estar pequeno e deslocado, o que pode te fazer duvidar de suas próprias convicções, mas sinto que é algo pelo qual temos de passar para podermos conquistar lá na frente. É como um exercício de fé, o crer sem ver, e tenho exercitado bastante isso ultimamente… Deus sabe!

Hoje, resiliência para mim é ter a certeza de que quando algo me chatear ou não sair conforme eu gostaria é porque tenho de aprender com isso, e darei o meu melhor para que seja um bom aprendizado. A frustração só entra na história se eu deixar.

Sigo em minha jornada… e espero que esse meu pequeno “desabafo” acabe motivando alguém.

Até breve!

Mari Marques.

 

Estabelecendo Rotinas em outro país

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Desde que chegamos no Canadá, temos tanto para fazer e resolver, que não houve tempo ainda para pensar em muita coisa.

No primeiro mês eu fiz um curso de inglês mais voltado para a conversação, porque meu listenning realmente é muito ruim e era essa minha necessidade imediata (ainda está ruim, mas sinto que aos poucos vai melhorando). Meu marido também chegou já fazendo curso de inglês, no mesmo lugar que eu, mas com foco maior em gramática. E, como passávamos basicamente o dia inteiro estudando por lá, o tempo que restava usamos para organizar aquela que será nossa casa pelos próximos anos (o que é bem legal de fazer, mas dá um certo trabalho) e também para resolver as questões de documentação e serviços. Então, algumas coisinhas bem importantes acabaram ficando de lado, como boa alimentação (as “porcarias” aqui são muito acessíveis e deliciosas), organização, horário definido para estudos (o que vai ser fundamental para nós dois) e até mesmo lazer, porque realmente não tivemos tempo de “turistar” nesse primeiro mês.

Agora, após um mês e alguns dias, tudo está começando a tomar a forma de como realmente será daqui para a frente. Meu marido vai estudar em horário integral (fará uma especialização na Langara, ritmo beeeemmm puxado) e eu consegui ingressar no programa de English Language Services for Adults (ELSA) da província de British Columbia, onde vou estudar inglês com aulas 3 vezes na semana.

Obviamente terei mais tempo para administrar a casa e manter nossa vida organizada… o que é novidade, já que no Brasil era ao contrário, porque meu marido era homework e tinha uma rotina bem mais flexível do que a minha. E confesso (com um pouco de vergonha) que ele se saía um “dono de casa” melhor do que eu. Taí um dos meus desafios!

Considerando que meu inglês anda meio “capenga”, três aulas por semana provavelmente não serão suficientes, então vou ter que usar muito bem meu tempo livre para me dedicar ao estudo e conseguir atingir as metas que estou estabelecendo aqui na minha cabeça (pretendo estar falando bem em 6 meses).

Para começar a tentar me organizar, vou usar a regra de listar as prioridades (para manhã, tarde e noite), mantendo uma agenda arrumada (os planejadores diários que tentei fazer ainda no Brasil não deram muito certo comigo).

Aqui, por conta da filosofia do “faça você mesmo”, parece que tudo é feito para ser mais prático, então até os itens de limpeza são fáceis e rápidos de manejar, de modo que a gente gasta pouco tempo. E já encontramos ótimas opções de alimentação saudável práticas de fazer. Minha grande questão será apenas manejar bem os horários para fazer tudo o que precisa ser feito e me sobrar tempo livre.

Não é tarefa fácil, levando em conta que minha desorganização é quase crônica, mas sinto que o Canadá tem muito a me ensinar nesse sentido. Aqui a questão de horários é levada muito a sério… em pouco tempo já dá para perceber isso. E apesar de ser meio chato se adequar a isso no começo, aprender a administrar bem os horários será de grande valor para a vida, seja aqui, no Brasil ou onde for. Isso é administração do tempo… e eles parecem fazer isso bem.

Por hora, vou tentando estabelecer minha rotina por aqui, e compartilho o que for dando certo. Deixarei o estudo para a parte da tarde. Essa manhã reservei para escrever este post e dar uma geral na casa… já estou atrasada! rs

Até breve.

Mari Marques.

 

Mudança Radical – Do Brasil para o Canadá

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Downtown Vancouver – by Google Imagens

Criei esse blog pensando no tema “mudanças”… todas elas… tanto as que precisamos de fato realizar ao longo da vida como aquelas que não precisam necessariamente acontecer, mas que sem dúvida será melhor para nós que ocorram.

Pensei que seria uma forma interessante de administrar minhas mudanças internas (desde o pensar até o agir) e de inspirar quem também se encontra com as mesmas questões.

Por ironia da vida, não consegui manter constância na atualização do blog (outra coisa que preciso mudar: disciplina e constância), justamente por estar passando por uma grande mudança na minha vida… talvez a maior de todas desde que me casei. Acontece que, marido e eu arrumamos as malas e embarcamos rumo ao Canadá… a princípio, por 3 anos, mas a verdade é que só Deus sabe o tempo em que ficaremos por aqui. E por mais que não sirva de desculpa, com todas as burocracias para resolver e todo o stress pré-viagem nos meses que antecederam nosso embarque, acabei deixando o projeto desse blog de lado, o que me deixou um pouco triste, porque é algo que eu realmente gostaria de fazer.

Whatever… como nunca é tarde, hoje, após um mês e quase duas semanas de Canadá (mais especificamente na província de British Columbia, onde fica Vancouver), resolvi ressuscitar este bloguizinho que nem chegou a respirar ainda (acho que só minha mãe visualizou até agora… rs). E manterei o tema “mudanças possíveis” como pano de fundo dos meus relatos, dicas e afins, porque aqui, longe de casa, estar aberta a mudanças chega a ser uma necessidade.

No mais, vale dizer que estou amando essa nova experiência. Está longe de ser fácil ou glamourosa (como alguns podem pensar), mas sem dúvida nenhuma viver isso é extremamente enriquecedor. São muuuuuiiiitos os desafios pela frente (principalmente com a língua, que não domino bem), mas só o fato de ter saído da “zona de conforto” dá uma coragem que eu realmente não sabia que tinha quando estávamos no Brasil.

Estou realmente ansiosa pelos próximos capítulos… rs

Até breve!

Mari Marques