Aquele que é o outro – Primeira Reflexão

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“Somente aquele que é o outro, nos mostra como verdadeiramente somos.”

Sou meio cinéfila, e costumo anotar as falas de filmes quando acho muito interessantes. Foi o que aconteceu com a citação aí de cima… ouvi essa frase em um filme já faz algum tempo, mas nunca me esqueci dela. Aliás, vira e mexe lembro desse pensamento (só não lembro do autor, mas o filme é Amor à segunda vista).

O “outro” é uma figura que paira no meu inconsciente acho que desde sempre, como se fosse uma nuvem bem chata, e que constantemente ameaça fazer chover. Apesar disso, não faz muito tempo que parei para refletir sobre esse “personagem” e nas implicações que traz para a minha vida.

Segundo Sartre, “o outro é, por princípio, aquele que me olha”, e a sensação de ser observada de fato me incomoda muitíssimo. Mais do que isso, o possível pensamento de quem pode estar observando me assusta… loucura isso, né?! Claro que é!

Acontece que sempre justifiquei esse tipo de sentimento e os comportamentos que vem com ele (vergonha de falar em público, medo de reclamar, o nervosismo com o novo) como sendo fruto de uma timidez. Porém, creio que seja um pouco mais complexo… hoje, penso que tudo isso tenha mais a ver com uma certa necessidade de aceitação…de ser aceita pelo outro, seja ele quem for.

A partir do momento que percebi isso e o quanto essa influência pode ser nociva em alguns aspectos, venho tentando me desvencilhar desse “olhar do outro”, mas não é uma tarefa fácil… até porque, há momentos em que a opinião desse “outro” pode sim ser benéfica, levando a uma autocrítica positiva, e até fazendo perceber um erro ou atitude equivocada.

De qualquer forma, voltando à citação em destaque, vale se perguntar: até que ponto o outro pode ser capaz dizer quem somos?

Bom… quando o outro está ao nosso lado, compartilhando nossos dias, alegrias e angústias, é justo dizer que ele será capaz de perceber muitas coisas que nos passam despercebidas sobre nós mesmos. E é essa uma situação que pode levar a uma autocrítica bem construtiva.

A forma como reagimos ao outro, seja ele quem for, também é capaz de dizer muito sobre nós. E nesse sentido, cabe a cada um se policiar para não permitir que esse outro dite nossas posições e reações.

Tanto na primeira como na segunda situação, existe o confronto e logo depois a escolha. Quando o outro que está ao seu lado te confronta, você é capaz de reconhecer as razões dele e, sendo justas, pode decidir mudar ou, caso não sejam, pode fazê-lo enxergar a partir de sua perspectiva. Em qualquer dos casos haverá crescimento nessa relação.

Quando confrontado pelo “outro provocador”, lá na segunda hipótese, você pode escolher não aceitar a provocação e adotar uma posição que reflita suas convicções, mostrando não apenas quem você é, mas quem você quer ser.

Agora… o que mais me intriga, é aquele outro “desconhecido” e o poder desconcertante que ele tem. E, para mim, esse é o mais difícil de lidar.

Como lidar com a crítica ou opinião daquele que não sabe o peso dos seus passos?  O quanto de verdade pode haver nesses “julgamentos”? E até onde isso pode refletir quem de fato você é?

Pior… e se esse “outro” julgador não for um completo desconhecido, apesar de não estar próximo de você? Há de ser considerado?

Realmente não sei… mas creio que o melhor seria encontrar uma forma de não permitir que esse tipo de interferência externa afete a nossa estabilidade interior. Talvez um belo “dar de ombros” seja o melhor caminho.

A verdade é que preciso refletir muito ainda.. mais do que eu gostaria, então este post terá uma continuação. Espero chegar a conclusões válidas.

Até lá, gostaria muito de saber as opiniões de quem passar por aqui.

Mari Marques.

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